sexta-feira, 24 de junho de 2016

Desânimo...

É muito triste chegar ao limiar de um novo período sem muitas perspectivas positivas. No final de 2014, com a troca de governo nacional (ou melhor, a manutenção do mesmo grupo que já estava havia 12 anos), pelo menos “metade” (bem, metade não… Já que a presidente foi eleita com 38,16% dos votos… Pois 35,74% votaram no outro candidato e 26,10% em branco, nulo ou abstenções… Ou seja, 61,84% dos votos não foram para a, atualmente, presidente afastada)... Mas uma boa parcela da população parece que manteve a esperança de que a coisa “continuaria melhorando”. O ano veio, passou... Acabou 2015… As notícias não melhoraram… Muito ao contrário, cada dia apareciam mais escândalos e mais notícias ruins. Veio 2016 e os milhões de desempregados só crescem em número.
Em nossa região, desde 2013 a chuva não vem como necessária. Colheitas chegando a menos de 10% do que deveria ter sido colhido. 😢😢😢
Vimos que todos (ou quase) os indicadores econômicos tinham sido maquiados em 2013. E parece que a cada novo dia mais um aparece. Agora é a “Oi” que pede recuperação econômica… Alguns dizem que é porque não recebe mais subsídio de bancos federais (aina vão apurar isso…) É tanta novidade que não se tem tempo de aprender o que significa cada nova informação: é “peculato”, “condução coercitiva”, “recuperação econômica”, “contabilidade criativa”...
Ainda em fins de 2014 se supunha, o que se mostrou real: as tais “pedaladas” que não fazem bem pra saúde de ninguém. Bem, pra alguém fez, pois houve reeleição. Vimos programas sociais sendo cortados aos milhões, enquanto eram descobertos desvios de TRILHÕES. Vimos as contas se multiplicarem (água, luz, telefonia, combustível)...
Em nosso Estado, com a desculpa da seca, quiseram inventar outra cobrança para a água (o que ainda está parado, por enquanto, mas já já alguém propõe de novo). Naquela proposta o cidadão pagaria pela água que consome (se você não sabe, a gente [dizem] paga pelo tratamento e não pela água, ou seja, estão querendo cobrar da gente pelo tratamento e pela água consumida). É triste quando querem se aproveitar de uma situação triste para pisar ainda mais em quem já paga por absolutamente tudo. É triste ver gado morrendo no pasto… Plantações dizimadas… Lavradores cabisbaixos e cheios de dívidas a pagar, de investimentos que foram feitos, mas que não deram resultado.
Nessas horas, a vontade é sentar à beira do caminho e chorar? Talvez seja. Mas vai adiantar? Certamente não. Se nós não fizermos nada a coisa vai melhorar? Talvez sim, talvez não. Mas se fizermos algo, certamente a coisa pode começar a mudar. Porém esta mudança começa com a nossa atitude. Começa quando nós mesmos ensinamos nossos filhos a serem pessoas melhores. Vi um vídeo muito interessante, de um ex-primeiro-ministro português (https://www.youtube.com/watch?v=pAt1xfUyfOg). Pedro Santana Lozes, ex-primeiro-ministro, é como se fosse o nosso ex-presidente.
O que acontece é mais ou menos isso:
A jornalista corta para a entrada ao vivo, e um repórter aparece apenas comentando que José Mourinho havia desembarcado. Ele nem aparece. É um corte de alguns segundos, quando ela volta para o estúdio e quer retomar a conversa, acontece isto, começando o diálogo pela repórter:
—Volto agora a conversar com Pedro Santana Lopes, estávamos a falar...
— Sabe onde é que estava?
— Sei, estávamos a falar...
— E acha que isso justifica? — Desculpe a pergunta. Estou falando da interrupção. Isso justifica?
— A interrupção da entrevista...
— José Mourinho é mais importante que qualquer um de nós, sem dúvida nenhuma. A chegada dele põe o país em delírio e os problemas dos partidos e do sistema político não interessam nada? Só lhe pergunto: é assim que o país anda para a frente? Os senhores me convidaram para vir aqui, para vir falar destes assuntos importantes, eu vim com sacrifício pessoal, um sacrifício pessoal. Chego aqui e sou interrompido por causa da chegada de um treinador de futebol? Acho que o país está doido, desculpe dizer. Com todo o respeito, e, portanto, eu não vou continuar a entrevista. As pessoas têm que aprender... Peço desculpas, mas não vou continuar. Sem nenhum pretensiosismo. Agora... Tenho regras e não quebro minhas regras.
O entrevistado se levanta, ao vivo, e vai embora… Julga que se um técnico de futebol é mais importante que a economia do país, se deve, então, falar apenas do futebol...
Quanto a nós, enquanto nossa maior preocupação ainda for se nosso time cai ou é “incaível”... Aqueles que sabem disso, usarão até isso para nos deixar ainda mais desanimados. E a cada dia tomamos outro 7x1: na educação, na economia, na segurança...
É preciso ter atitude. E a primeira delas é (Hebreus 12.12-16): “Portanto, levantem as suas mãos cansadas e fortaleçam os seus joelhos enfraquecidos. Andem por caminhos aplanados para que o pé aleijado não manque, mas seja curado.
Procurem ter paz com todos e se esforcem para viver uma vida completamente dedicada ao Senhor, pois sem isso ninguém o verá. Tomem cuidado para que ninguém abandone a graça de Deus. Cuidado, para que ninguém se torne como uma planta amarga que cresce e prejudica muita gente com o seu veneno. E tomem cuidado também para que ninguém se torne imoral ou perca o respeito pelas coisas sagradas, como Esaú, que, por causa de um prato de comida, vendeu os seus direitos de filho mais velho. Como vocês sabem, depois ele quis receber a bênção do seu pai. Mas foi rejeitado porque não encontrou um modo de mudar o que havia feito, embora procurasse fazer isso até mesmo com lágrimas.”
Destaco acima o versículo 15: No meio dessa sensação ruim, não se deixem levar pelo desânimo. Deus continua no comando. Também não se deixem tornar pessoas amargas, buscando pensar só em si mesmas e abandonando o amor ao próximo.
Os próximos dias, meses e anos serão melhores? Talvez sim... Talvez não. Se tirar o povo que hoje governa, vai resolver? Está cada vez mais difícil acreditar que sim… Mas talvez sim, talvez não. Certo é que se nós nos deixarmos abater, aí já teremos sido derrotados antes mesmo das lutas do ano que vem começarem. E elas virão. Elas sempre vêm. Assim como também vem a bonança. Na hora da tristeza precisamos ainda mais nos firmar naquilo que nos dá segurança: fé em Deus, família, cônjuge…
Continue confiando… Continue orando… E, se ainda não fez, faça a sua parte. Não eleja nenhum político que te ofereça qualquer benefício egoísta… Ele oferece hoje e precisará tirar amanhã para repor. Não aceite vender sua honra por alguns sacos de cimento, areia, um tanque de gasolina, uma “receitinha” na farmácia, um tranporte de ambulância ou funerária, uma consulta “mais rápida” no SUS ou particular… Não se venda. Ensine honra a seus filhos aí você estará fazendo um país melhor.
E confie. O Senhor continua olhando para o bem dos seus. No momento cherto a chuva virá novamente.

Jarbas Hoffimann é formado em Teologia e pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, em Nova Venécia. (pastorjarbas@gmail.com; facebook.com/pastorjarbas)

Estes e outros artigos são publicados no Jornal Correio 9, de Nova Venécia (curta para ser avisado das edições diárias, leitura completa online):
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