sábado, 21 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 003

7. Ali está a palavra falada, e ela está intimamente unida à palavra de Deus. Como já indiquei, Richard Lischer, escreve: Ali está a palavra escrita! Nós ouvimos a palavra falada de Deus. Nós lemos a palavra escrita de Deus. A palavra escrita e a palavra falada têm uma dinâmica diferente. Eles são na verdade uma linguagem diferente, têm um impacto diferente sobre nós. É característica da palavra escrita, mover-nos a pensar e contemplar. A palavra escrita pode fazer isto, por causa de suas propriedades. A palavra escrita “permanece firme” onde ela está e permite a todos, mesmo ao mais grosseiro dos leitores a tomá-la ou deixá-la onde ela está, pensar ou não pensar algo. É uma característica da palavra falada de mover-nos a percepções e intenções. Obviamente estas características sobressaem. A palavra falada pode convidar à contemplação, mas, pela virtude de sua propriedade, quando ela o faz, ela leva o ouvinte além. A palavra falada não permanece quieta. Quando ela deixa de pensar, core seu próprio risco, e perde por cada pausinha que faz. E quando que, pela virtude de suas propriedades, a palavra escrita move alguém à ação, esta ação faz a pessoa abandonar a palavra escrita e ir além por si mesma. Enquanto a palavra escrita fica ali onde foi jogada.

8. Pregar é palavra falada, com os benefícios e possibilidades que provém destas propriedades. Mas isto não é o fim da história. A pregação luterana nunca é um mero exercício da palavra escrita. A pregação luterana é normada pela Escritura, como veremos a seguir. Mas esta observação também tem significado aqui, pois a Bíblia é a palavra escrita, com todas as propriedades da palavra escrita. E novamente, esta não é toda a história, para estas palavras escritas. Primeiramente, por um fato especial: Esta palavra escrita deve ser falada e ouvida! Birger Gerhardson atesta: “a maior parte da literatura antiga é destinada mais para os ouvintes, e nem tanto para os olhos. Palavras eram entendidas como sons, os autores escreviam, trabalhavam o que pensavam para serem lidas em voz alto.”[1] Claramente, esta observação é verdadeira, com respeito à Escritura pela virtude de como nós achamos os textos sagrados devem ser manejados, na narrativa da Escritura, e por instrução explicita na leitura dos textos, como tais.

9. O fato de a palavra escrita ser escrita para ser falada, nos faz esperar ainda mais do sermão como palavra falada, baseada na palavra escrito para prover isto que característica da palavra falada, a saber, criar vivas percepções e formar intenções nos ouvintes. O sermão é bem apropriado para a proclamação de ambos, da culpa e do perdão. Sermões são bons veículos para admoestações e exortações. Sobre tudo, podemos falar de ambos os benefícios e das variações destas propriedades da palavra falada relacionados à pregação luterana. Mas, neste ponto, é suficiente dizer que a pregação luterana necessita conscientemente ser conduzida como uma visão às propriedades de uma atividade lingüística oral.


[1] Birger Gerhardsson, Memory and Manuscript, trans. Eric J. Sharpe, Acta Sminarii Neotestamentici Upsaleinsis, XXVII (Upsala, Sweden: Gleerup, 1961), p.163; cited in Lischer, p. 68.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 002

I - O Conteúdo da Pregação Luterana

3. A pregação luterana é uma atividade que não é feita num vácuo. Antes, ela acontece dentro de um contexto, sim de vários contextos. Como uma atividade da linguagem, a pregação luterana vive no contexto lingüístico, e se defronta com uma exigência da gramática local. Como uma atividade na Igreja, a pregação luterana vive no contexto litúrgico e suas implicações locais. E como uma atividade da proclamação da Palavra de Deus, a pregação luterana vive no contexto da teologia luterana. Estes contextos juntos formam o meio ambiente no qual a atividade da pregação luterana acontece. Vamos considerar cada contexto.

 

O contexto linguístico da pregação luterana

4. Pode parecer que a respeito do contexto lingüístico da pregação luterana há pouco a dizer, a não ser algo sobre a necessidade de um som claro e distinto, de frases claras e distintas. Mas tal simplicidade ilude quanto a tarefa. Primeiro, o mundo lingüístico não é monolítico (bloco único). Há nela diferenças consideráveis, por exemplo, entre a palavra escrita e falada.

5. A primeira palavra no mundo foi falada: E disse Deus: Haja... A primeira palavra desenvolvida na sociedade foi falada. A primeira palavra pronunciada por vossos filhos são palavras faladas. Há algo básico com a palavra falada. A respeito disto, Richard Lischer escreve:

A voz viva com sua capacidade, variações e entonação, gritos e força, torna possível um nível de clareza não conhecida pela forma escrita da comunicação. A leitura e a televisão fazem de nós espectadores externos, mas o som é a chave para o interior. A classe pode examinar-me, o novo professo, quanto tempo quiserem, mas nada do que eu sou será revelado, exceto quando abro minha boca para falar. O que é mais revelador do que a linguagem?

6. Num nível mais profundo, a fala cria um tipo de comunicação que não somente transmite informações, mas requer respostas.[1]


[1] Richard Lischer, A theology of Preaching: The Dynamics of the Gospel. (Nashville: Abingdon, 1981), p. 69.

Projeto Neemias

No Distrito Espírito Santo Norte (DIESNORTE) da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), há um projeto chamado Neemias. Que pretende construir igrejas, utilizando ofertas dos leigos.

No Assentamento Boa Vista, em Ecoporanga este projeto está sendo contemplado com recursos para a construção de uma singela capela, para que as pessoas possam prestar seu culto em local adequado.

Segundo informações do Rev. Adevilson Kreitlow, a construção teve início no dia 26 de Dezembro de 2011, e na primeira semana de 2012 foi impossível trabalhar no local pela quantidade de chuva, mas nesta semana a construção está a todo vapor. Como se verifica nas fotos.

Se você é Leigo do DIESNORTE e ainda não ofertou para o projeto, não perca a oportunidade. Fale com a liderança de sua igreja e colabore também, para que mais e mais igrejas sejam “plantadas”.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Proclamação Luterana - 001

A Proclamação Luterana: Proclamação, não comunicação

Robert W. Schaibly[1]

Trad.: Horst Kuchenbecker

1. A respeito da pregação luterana, já foi dito e escrito muita coisa. Escrevo isto na convicção de que nosso Sínodo, em particular e o luteranismo em geral, está enfrentando um grave problema nesta área. Minha convicção cresce pela noção de que, mais cedo ou mais tarde, vou precisar voltar-me a todos os meus paroquianos e todos os meus queridos colegas, que me empurram para, de tempos em tempos, fazer uma investigação sobre o que está acontecendo nos púlpitos luteranos, e o que esperam que aconteça. Ofereço aqui alguma coisa dessas investigações.

2. Dito isso, desejo ser compreendido ao oferecer a meus leitores uma perspectiva e uma atitude sobre a pregação luterana. Não posso fazer mais do que oferecer. Não tenho mecanismos pelo quais pudesse pesquisar. Na verdade, despertei para esse tema ao ler o sermão de Lutero sobre o cego de nascença em João 9, pregado na quarta-feira, após Laetare, dia 17 de março de 1518.

Vocês sabem, meus amigos em Cristo, que eu não entendo muito sobre pregação, e por isso prego um sermão louco; por ser um louco eu agradeço a Deus. Por isso, preciso ter ouvintes loucos. Todo aquele que não deseja ser louco, pode fechar seus ouvidos. Este evangelho me impulsiona a tomar esta atitude. Como vocês ouviram, este evangelho de Cristo é lido somente por cegos. E Cristo conclui que todos os que vêem são cegos e todos os sábios e prudentes são tolos. Estas são suas palavras. Se eu tivesse dito isso, seria tido como um novo profeta. Mas Cristo não mente. Pois, todos nós somos cegos, nossa luz e iluminação vem somente de Cristo, nosso bom e gracioso Deus.[2]


[1] Lutheran Preaching: Proclamation, Not Communication Concordia Journal, January, 1992. Vol 18, nº 1, p.6.
[2] Luther`s Works, Am. ed., vol. 51, pp. 35-36.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Melhor previnir

O problema da seca não é a falta de chuva, mas a de juízo. Não é preciso um José com dons divinos para interpretar sonhos, basta um meteorologista com dotes científicos – que, aliás, também são dádivas do céu. Mas a célebre história das vacas gordas e magras tem um importante aviso que não depende de fé, e que nossos “faraós” deveriam prestar atenção. Refiro-me ao conselho de José: “Será bom que o senhor, ó rei, escolha um homem inteligente e sábio e o ponha para dirigir o país” (Gênesis 41.33). Infelizmente, o método nas escolhas de nossos administradores é norteado por questões políticas e não técnicas – interesses de poder e ganância que transformam sonhos em pesadelos.

A vida nos ensina que é melhor prevenir que remediar. A prevenção tem custos, mas é menos dispendiosa que as soluções emergenciais. A saúde física, por exemplo, se houver os devidos cuidados na mocidade, na velhice a pessoa estará preparada para as inevitáveis secas. Há exceções, como em toda regra, mas o sábio Salomão já disse: “Preguiçoso, aprenda uma lição com as formigas! Elas não têm líder, nem chefe, nem governador, mas guardam comida no verão, preparando-se para o inverno” (Provérbios 6.6-8).

A lição é a mesma no campo espiritual. Diz a Bíblia que aquele que tem fé em Deus “é como árvore plantada perto da água, que espalha as suas raízes até o ribeirão (...) Quando não chove, ele não se preocupa, continua dando frutas” (Jeremias 17.8). Ao contrário da “planta do deserto” que cresce com a chuva, mas logo desaparece. Por isto a invariável sequidão de certos “crentes” – para quem Deus é bom enquanto chove prosperidade, mas injusto quando surgem os infortúnios. Onde estão as raízes desta fé? Se estivessem até a profundidade onde corre a “água da vida” (João 4.14) seriam raízes de “árvores que dão frutas no tempo certo, e as suas folhas não murcham” (Salmo 1.3). Tomara que estes tempos de pouca chuva nos façam refletir em tudo isto.

Marcos Schmidt
pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil

Lições do naufrágio

size_590_costa-concordia

O desastre com o Costa Concordia assusta também os que estão em terra firme. A imagem do “Titanic” italiano, rendido nas rochas, com seu colossal tamanho, luxo e tecnologia, choca e aterroriza a todos que têm consciência das incertezas no mar da vida. Por isto as lições desta tragédia. E a primeira que sobressai é a atitude irresponsável e covarde do comandante. Saiu da rota por motivos fúteis, abandonou o navio quando deveria ser o último, e ainda mentiu para a capitania dos portos. Insensatez, desatinos, e falsidade, no entanto, são marcas que caracterizam a sociedade moderna. O mundo está carente de bons navegadores na família, na política, na economia, nos meios de comunicação, nas escolas, nas polícias, e pior, nas religiões. Todas as instituições estão afundando. Deveriam estar “vento em popa”  pela ciência. Mas, quanto mais a humanidade avança na tecnologia, mais regride nos valores éticos e morais.

E assim a atitude deselegante das pessoas na hora de abandonar o navio. A frase “mulheres e crianças primeiro” não foi respeitada. Passageiros relatam que muitos desacataram este regulamento na hora de entrar nos botes salva-vidas. Cavalheirismo, respeito e consideração naufragaram faz tempo. Creio que estamos presenciando aquilo que diz o texto sagrado, que as pessoas serão egoístas, desobedientes, sem amor, incapazes de se controlar e atrevidas (2 Timóteo 3.1-4). Percebe-se isto no trânsito, nas filas, ou em qualquer situação que exige renúncia. A teoria evolucionista da seleção natural, dos mais fortes que abatem os mais fracos, pode ser a explicação, mas não justifica. A sociedade precisa urgentemente da fé na criação e recriação divina, que tem outra teoria: “Quem ama é paciente e bondoso... Quem ama não é grosseiro nem egoísta” (1 Coríntios 13.4,5).

Mas o mundo tem saída. Igual ao navio que requer uma operação dispendiosa, mas capaz para chegar ao estaleiro e ser refeito. Intervenção que já começou quando a Bíblia afirma: “Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor” (Romanos 8.21). Até porque não tem como pular fora... 

Marcos Schmidt
pastor luterano

O que perdemos ou ganhamos por espiar

Ganhar ou perder por espiar depende da motivação, do propósito e do alvo da espiadela. Existem momentos (ou razões) que justificam o observar secreto da vida de alguém e outros não. Os pais, por exemplo, precisam saber o que os filhos fazem e que lugares frequentam. Espionar a vida dos outros para ter o que falar, não é recomendável.

Está de volta o “reality show mais amado-odiado do país”. Trata-se do BBB – 2012. Os organizadores precisam de pessoas que liguem o televisor ou outros meios de comunicação. A audiência fará com que o programa continue ou não. Como ele está de volta e continua no ar é porque milhões de pessoas estão “espiando”.

Espiar significa “observar secretamente”, lançar um olhar sem maiores intenções. Mas, havendo interesse, o passo seguinte é não mais tirar a atenção. É aí que está o perigo. O que acontece com o reality show é uma chamada coletiva para prender a atenção por muito tempo. Os patrocinadores é que agradecem e faturam. Por outro lado, crianças, adolescentes e jovens são induzidos à prática de atitudes que ferem os bons princípios. É neste sentido que temos muito a perder olhando uma programação como esta.

Existem alternativas melhores para uma boa espiada. Um bom livro, o exemplo de alguém que é justo, honesto e sincero. Temos muito a ganhar espiando as Sagradas Escrituras. Deus quer ser conhecido, especialmente quando nos convida a contemplarmos o seu amor revelado em Cristo.

Uma boa sugestão para desviar o foco da “casa mais vigiada do país” é exercitar o poder de desligar o aparelho que transmite o programa. Outra dica é pedir o que o salmista pede: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo.” (Salmo 27.4). Ganhamos muito contemplando (espiando) a beleza do amor de Deus por nós.

Pastor Fernando E. Graffunder

Três Vendas – Pelotas, RS.

Leitura Bíblica para a Quaresma 2026

Você sabe o que é a Quaresma? Muita gente acha que é o tempo de sofrimento e privação (jejum etc...) que começa depois do carnaval. Infelizm...