sexta-feira, 18 de setembro de 2009

humildade infantil

Humildade infantil


16º Domingo após Pentecostes


Texto bíblico: Mc 9.30-37


Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).


Queridos irmãos em Cristo.

A Paz do Senhor esteja com todos vocês.

Imaginem a situação:

São 12 funcionários esperando uma promoção. Todos eles estão no mesmo nível. Têm capacidades e formação parecidas. E o chefe, pensam eles, vai escolher um para o comando.

Ou então:

Um prefeito e 12 vereadores do mesmo partido. Está chegando a campanha e os vereadores pensam: o prefeito vai sair e alguém precisa tomar o seu lugar. Ou um vice em sua chapa, pelo menos. Os vereadores ao seu lado são capazes, mas quem será escolhido para governar?

Agora voltem seus olhos para Jesus e seus 12 discípulos. É claro que o Senhor nunca foi um empresário. Muito menos prefeito. Mas estas duas situações talvez nos façam entender melhor o que aconteceu naquele dia registrado em Marcos 9.30-37.

Havia uma disputa por poder. Talvez motivada pelo fracasso de Bartolomeu, Judas, Felipe, Mateus, Tomé, Tiago filho de Alfeu, Simão, André e Tadeu! Eles falharam em libertar o menino de um espírito mau, porque confiaram em suas próprias forças (Marcos 9.14-29).

Talvez a disputa ainda tenha outros ingredientes, como o fato de Jesus ter escolhido Pedro, Tiago e João para presenciar sua transfiguração. Talvez os demais discípulos tenham visto isso como um gesto de que Jesus gostava mais daqueles discípulos.

Talvez ainda a motivação fosse os exemplos externos. Os outros mestres que andavam por ali. Aqueles mestres juntavam seus discípulos, os ensinavam e depois cada discípulo se tornava um mestre, vivendo de seus ensinos e buscando a fama entre todos os outros. Assim eram os mestres de então.

Mas Jesus era um mestre diferente. Ele nunca ensinou com o objetivo de ser famoso. Ao contrário, muitas vezes exigiu silêncio sobre seus milagres. Ele também não preparou seus discípulos para serem simplesmente novos mestres de um povo perdido. Jesus veio falar do Reino de Deus, Reino prometido já no jardim do Éden, quando Deus diz à serpente: "eu farei com que você e a mulher sejam inimigas uma da outra, e assim também serão inimigas a sua descendência e a descendência dela. Esta esmagará a sua cabeça, e você picará o calcanhar da descendência dela." (Gênesis 3.15). E este descendente veio: é Jesus Cristo, o Messias prometido.

Aqui em Gênesis temos apenas uma das tantas promessas de salvação ao pecador. E foi para ser nosso Salvador que Jesus veio. E veio anunciando que o Reino de Deus está próximo.

Parte do anúncio do Reino era avisar sobre sua morte e ressurreição. E isso Jesus faz quando ia com os seus discípulos para a Galileia. A Palavra do Senhor nos diz que os discípulos "não entendiam o que Jesus dizia, mas tinham medo de perguntar". (v. 32).

Parece que os discípulos estavam mais preocupados em saber quem era melhor do que o outro. Queriam saber qual deles era o mais importante. Mas importante como?

O pedido de Tiago e João nos ajuda a entender o que estavam pensando: "Quando o senhor sentar-se no trono do seu Reino glorioso, deixe que um de nós se sente à sua direita, e o outro à sua esquerda." Assim registra Marcos 10.37. E aqui claramente Tiago e João aparecem querendo ser importantes no Reino que viria. Talvez eles estivessem cheios de confiança por terem visto pessoalmente a transfiguração de Jesus. E vão pedir antes que outros peçam.

Parece a situação de uma festa infantil: a gente chega e tá tudo pronto, esperando o momento dos parabéns. Todos sabem que os doces são par depois, mesmo assim fica todo mundo se vigiando, porque se alguém pegar primeiro, eu posso também. Assim se justifica um erro, culpando outra pessoa.

Essa atitude de superioridade aflora várias vezes entre os discípulos. E, pelo menos uma vez, os discípulos se julgaram melhores que outros seguidores de Jesus.

Em Marcos 9.38-41 aparece outra pessoa expulsando demônios em nome de Jesus. E os discípulos o proíbem, afinal, como dizem eles: "ele não é do nosso grupo". (Mc 9.38).

O que será que passou pela cabeça dos discípulos?

—Nós não conseguimos salvar ajudar menino, agora vem esse consegue libertar outros! Mais um para concorrer conosco no Reino do Senhor? Essa não! Já somos 12... Que reino tem 12 chefes?...

Estas três situações:

os discípulos querendo saber quem era mais importante.

Tiago e João querendo ser mais importantes.

E os discípulos proibindo um homem que ajudava em nome do Senhor Jesus...

Aparecem registradas em Marcos, capítulos 9 e 10.

Os olhos dos discípulos estavam tão concentrados na glória do Reino, que esqueceram o que Jesus anunciou em Marcos 9.30-32: —O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e eles vão matá-lo; mas três dias depois ele ressuscitará."

Essa morte e ressurreição supera qualquer desejo de "status". Pois mais importante do que títulos de nobreza é a salvação eterna. Mais importante que uma vida cheia de facilidades financeiras é ter Jesus. E foi a Salvação que Jesus conquistou ao morrer e ressuscitar.

Para acabar com as discussões tolas, Jesus toma uma criança como exemplo. Ele diz: "Aquele que por ser meu seguidor, receber uma criança como esta estará também me recebendo." (v. 37).

Num primeiro momento parece que Jesus está falando sobre a criança, mas não é! A ênfase está na atitude de receber ou não ao próximo. Em amor, humildade, paciência, domínio próprio...

Quem recebe a criança não espera nada em troca. A criança não tem poder, ou dinheiro, ou amigos influentes. A criança não dará sorrisos amarelos só pra agradar, nem se contentará com falsa bajulação, apenas pra conseguir favores.

Na criança Jesus acaba com a discussão ensinando que os cristãos vivem em amor ao próximo e não na busca inútil de importância aos olhos do mundo.

Quem é importante? É aquele que serve! Aquele que recebe o irmão ou recebe aquele que quer se tornar nosso irmão!

Servimos como o Senhor Jesus nos serviu primeiro. Morrendo para nos dar a Salvação.

Jesus é o nosso exemplo e nosso Salvador. Somos por ele recebidos como crianças. E quando acolhemos o próximo, acolhemos o Senhor Jesus e o próprio Deus em nossa vida.

Taí algo em que concentrar esforços: no amor ao próximo e no amor a Deus por nós. Disso vocês jamais se arrependerão. Amém.


E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Glórias Somente a Deus