domingo, 27 de setembro de 2009

A pedra de moinho

Leia aqui o texto bíblico de Marcos 9.38-50


17º Domingo após Pentecostes 6.622

Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês! (2Co 13.13).


Queridos irmãos em Cristo.

A Paz do Senhor esteja com todos vocês.

O versículo escolhido para nortear nossa meditação é o 42, de Marcos 9, que diz: "Quanto a estes pequeninos que creem em mim, se alguém for culpado de um deles me abandonar, seria melhor para essa pessoa que ela fosse jogada no mar, com uma pedra grande amarrada no pescoço."

Vocês têm noção do tipo de pedra que Jesus está falando? É uma pedra de moinho. E existem muitos tipos de pedra de moinho. Por exemplo, existe o moinho manual, que pode ser girado facilmente com uma alavanca. Esta pedra pesa poucos quilos.

Se fosse essa pedra, de poucos quilos, presa ao pescoço com uma corrente, alguém conseguiria se livrar do afogamento? Não. Esta pedra, de poucos quilos já acabaria com a vida da pessoa que pulasse na água.

Mas a pedra que Jesus sugere é outra. De um moinho bem maior. A pedra era tão grande, que para fazê-la girar eram usados animais. Um ou mais jumentos.

Se alguém ainda tinha dúvidas da gravidade do alerta do Senhor, acredito que aqui não há mais dúvidas. Se já é difícil sobreviver a uma pedra de moinho manual, como sobreviver à pedra de algumas toneladas? Nem era preciso cair na água. O simples puxão da pedra mataria a pessoa...

Estas palavras duras se dirigem as discípulos, porque eles tinham encontrado um homem expulsando demônios e, "porque ele não é do nosso grupo" os discípulos o proibiram.

Tendo feito isso, os discípulos atrapalharam o trabalho de alguém que estava plantando na obra do Senhor. Alguém que estava expulsando "demônios pelo poder do nome do senhor". Não em próprio nome, mas em nome de Jesus Cristo. O nosso Senhor.

A Palavra do Senhor nos lembra que nós, não somos os donos do Senhor Jesus. Pelo contrário, nós é que somos dele, por que ele nos comprou com sua morte na cruz.

Mas pode acontecer que surja a inveja entre nós, ao vermos outros falando do Senhor e sendo ouvidos. Pode ser que pensemos que eles estão usurpando um direito nosso. Mas o apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo diz: "Por isso precisam compreender que ninguém ... pode dizer "Jesus é Senhor", a não ser que seja guiado pelo Espírito Santo." (1Co 12.3). E então é muito importante o testemunho de todos. De cada um que é cristão também o nosso, como cristãos luteranos.

Entretanto ninguém está realmente servindo o Senhor, quando afasta as pessoas de Jesus. Por exemplo, não adianta fazer um batismo "em nome do Senhor" dentro de um centro de macumba. Além de ser inútil, ainda é heresia e deboche contra o Senhor que nos deu o batismo.

Da mesma forma, falsos mestres vão aparecer sempre e invocarão no nome do Senhor para fazer seus supostos milagres. Mas não são do Senhor e nem mesmo estão guiando as pessoas ao Senhor. Pelo contrário, usam a Palavra do Senhor...

Vejam o alerta de Jesus: "aparecerão falsos profetas e falsos messias, que farão milagres e maravilhas para enganar, se possível, até o povo escolhido de Deus. Prestem atenção!" (Mc 13.22-23).

Sendo assim, como entender o texto de Marcos 9? É simples, a vida do servo do Senhor é reta e não é simplesmente por chamar o nome do Senhor, ou por fazer milagres, que é realmente um discípulo de Jesus. É muito mais do que isso.

O próprio Senhor lembra: "Não é toda pessoa que me chama de 'Senhor, Senhor' que entrará no Reino do Céu, mas somente quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu. Quando aquele dia chegar, muitas pessoas vão me dizer: 'Senhor, Senhor, pelo poder do seu nome anunciamos a mensagem de Deus e pelo seu nome expulsamos demônios e fizemos muitos milagres!' Então eu direi claramente a essas pessoas: 'Eu nunca conheci vocês! Afastem-se de mim, vocês que só fazem o mal!'" (Mt 7.21-23). Aí está a chave da compreensão do texto.

Realizar milagres não prova que você é enviado por Deus. Dizer que tem revelações também não é prova alguma. Ser conhecido como aquele que tem a oração poderosa muito menos. Falar em línguas não significa nada. Pois "somente quem faz a vontade do meu Pai, que está no céu" é terá a vida eterna.

O problema registrado em Marcos 9.38-50 é a preocupação dos discípulos de que aquela pessoa não fazia parte do grupo deles. Não era daquele grupinho fechado. E achavam que estava usurpando o nome de Jesus. Mas muito pelo contrário, aquele homem foi um cooperador na obra do Senhor. Ajudando pessoas e fazendo a vontade do Pai.

Assim, os discípulos é que estão atrapalhando o reino de Deus. Eles é que deveriam pular na água com uma pedra de moinho ao pescoço.

Somos uma igreja cristã. Somos de Jesus. Filhos de Deus. Mas não somos os donos da verdade e não somos os únicos que creem em Cristo. Também não somos os únicos que vão pro céu. Aliás, quem garante que todos aqui vão pro céu? Vai pra vida eterna quem é do Senhor e faz a vontade do Pai. Vai pro céu quem for acolhido pelo Senhor, pela fé em Jesus.

Aí viramos nossos olhos para os outros personagens do evangelho de hoje. Aqueles que foram ajudados pelo homem que expulsava demônios. Os "pequeninos que creem" em Jesus.

Jesus quer acolher a todos. Ele acolheu também àqueles pequeninos por meio do testemunho daquele homem que não teve sequer seu nome mencionado. Mesmo sem sabermos o seu nome, ele foi um verdadeiro discípulo, que acolheu aos irmãos.

Por outro lado, os discípulos estavam fazendo as pessoas tropeçar, pois estavam criando uma divisão, como se existissem os discípulos de primeira classe (o grupo deles) e os outros.

E então vem o alerta muito sério de Jesus:

"Se uma das suas mãos faz com que você peque, corte-a fora! ... Se um dos seus pés faz com que você peque, corte-o fora! ... Se um dos seus olhos faz com que você peque, arranque-o! Pois é melhor você entrar no Reino de Deus [sem a mão, ou o pé ou o olho do que estar perfeito fisicamente] e ser jogado no inferno." (Mc 9.43,45,47).

Jesus não quer que ninguém se mutile. Aliás, se nós fôssemos cortar tudo que nos faz pecar, começaríamos pela cabeça, pois é do cérebro que saem os pensamentos ruins.

Jesus está usando hipérboles. Assim como dizemos: "eu poderia comer um boi" e não podemos comer. Mas entende-se que estamos com muita fome. Assim Jesus fala da pedra de moinho e de cortar partes do corpo.

Ele está dizendo: não brinquem com o pecado!

Como um pai diz para seu filho não brincar com o perigo. Assim como um dependente de drogas carregar consigo sempre um punhado da droga, mesmo que prometa não usar.

É como fazer uma roleta russa. Conhecem o termo? Deixa-se apenas uma bala no tambor da arma de seis ou sete tiros. Aí gira-se o tambor até que pare sozinho. Aponta-se a arma pra cabeça e se puxa o gatilho pra ver se está com sorte.

No caso do pecado, brincar com ele é como fazer roleta russa, mas não com uma bala no tambor. Brincar com o pecado é colocar todas as balas no tambor, girar, apontar pra cabeça e disparar esperando que a bala não saia.

O pecado é coisa séria. E se Jesus foi tão duro no alerta aos discípulos, foi também para nos ensinar da gravidade de conscientemente cair em pecado ou fazer alguém outro afastar-se do Senhor. É melhor amarrar a tal pedra, porque assim, morrendo o transgressor, menos pessoas serão desviadas.

Como última coisa, lembre-se que Jesus quer acolher a todos. A mim e a vocês também. A todas as pessoas de nosso bairro e do mundo.

O pecado é grave, mas o Senhor nos livra das tentações e perdoa os pecados. Assim como ele continuou com seus discípulos, ele continua conosco diariamente. Os discípulos, depois de aprenderem o que realmente importa, foram grandes mensageiros do Reino de Deus.

Somos do Senhor! Que possamos ser também úteis instrumentos do Senhor e ter a alegria de guiar outros pequeninos até ao Pai e juntos ter a vida eterna. Amém.


E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. Amém. (Fp 4.7)

Pastor Jarbas Hoffimann – Nova Iguaçu-RJ

Glórias Somente a Deus