sábado, 2 de abril de 2011

Inflação e os valores

Os brasileiros andam apavorados com as últimas notícias que estão destacando a volta da inflação. Nos anos 80, um produto tinha um preço num dia, mas no dia seguinte o preço já era bem outro. Será que esse tempo vai voltar?
Interessante pensar no valor das coisas e principalmente na subjetividade dos valores. Uma coisa pode valer muito para uma pessoa e pode valer pouco para outra. Qual o valor dado à família, à honra, à moral? Cada um dá um determinado valor! Qual o valor da verdade, da sinceridade e, principalmente, qual o valor que atribuímos à Palavra de Deus e ao próprio Pai do Céu?
Para esquentar nossos pensamentos sobre este assunto, permitam-me contar a experiência realizada pelo pessoal do jornal The Washington Post. Eles fizeram o seguinte: colocaram um dos mais renomados e qualificados músicos, chamado Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, a tocar num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares. Imaginem só, que combinação! Um excelente músico tocando em um excelente violino! Porém, o pessoal do jornal o colocou tocando em uma estação de trem na hora do "rush". O músico simplesmente desceu do metrô e começou a tocar por 45 minutos. A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres de andar ligeiro, copo de café na mão, celular no ouvido, todos indiferentes ao som do violino, todos “sem dar valor” algum àquele espetáculo. Para agravar a ironia da situação, o mesmo músico apresentara-se há uma semana no "Simphony Hall" de Boston, onde os melhores lugares custam 1000 dólares.
É ou não é interessante pensar no valor das coisas?
O som de um violino de 3 milhões de dólares sendo tocado por um dos melhores músicos do mundo não recebeu valor alguma por parte das pessoas! Por quê? Simplesmente porque não era em um bonito teatro, simplesmente porque o músico não estava de terno e gravata, mas estava de jeans e camiseta.
Deus, o nosso Senhor, é aquele que está acima de tudo e de todos! No entanto, ele não espera ser valorizado apenas quando identificado como majestoso Rei; antes, como o humilde senhor Jesus. Deus se fez homem! Qual foi o valor atribuído a Cristo? Qual honra lhe foi concedida? Um coroa de espinhos? Realmente. Foi erguido e enaltecido em uma cruz! Não para ser aplaudido, mas para ser cuspido!
Assim como a glória e a majestade de Deus estavam ocultas em Jesus, nos dias de hoje, Deus se oculta nas pessoas ao nosso redor, nas pessoas mais simples, nas pessoas mais humildes. O jeito que a gente trata estas pessoas revela o jeito ou o valor que atribuímos ao nosso Deus. (Mt 25.31-46).
Por outro lado, se nós não valorizamos devidamente o Senhor Deus e as pessoas, o nosso Pai do Céu nos valorizou de tal forma, ao ponto de entregar a vida de seu Filho Jesus, por nós. Para nos redimir, Ele não usou ouro, prata, dólares ou reais; antes disso, ele nos comprou com o próprio sangue de Jesus, derramado na cruz (1Pe 1.18-19). Se não bastasse isso, o amor de Deus se renova constantemente! O amor de Deus está sempre em “inflação”! Cada dia ele nos cuida!
Que, motivados pelo amor e pelo valor que Deus nos atribuiu, possamos nós transferir este amor às pessoas ao nosso redor. Que nossas autoridades valorizem as pessoas e com sabedoria controlem a inflação e outros malefícios, para que o pão seja para nós todos e não apenas para alguns, e para que a escala de valores esteja em harmonia em nossos corações.

Pastor Ismar Pinz
27/06/2008 no Jornal Folha de Candelária
Coluna Paralelas / Candelária-RS.