sábado, 30 de abril de 2011

Violência no parreiral: lavradores matam o filho do proprietário do vinhal

Tempos atrás, numa cidade do interior do Brasil, aconteceu um fato interessante. Um grupo de pessoas veio até a prefeitura para conversar com o prefeito. O prefeito, assustado em ver tanta gente de uma vez no seu gabinete, perguntou o que tinha acontecido. E um deles, brincando, respondeu: “Nós viemos lhe avisar que o nosso vereador morreu. Ele caiu num daqueles buracos da estrada e não conseguiu sair. O senhor não podia mandar uma máquina para lá a fim de tirá-lo e aproveitar para fazer a nossa estrada?!”
O prefeito achou muita graça nisso e noutro dia mandou a máquina para lá a fim de fazer aquela estrada.
Em Minas aconteceu um caso muito parecido. Só que não foi com o vereador, mas com o prefeito. Vendo que as ruas estavam todas esburacadas, cheias de lixo e mato, com muitas lâmpadas queimadas e o interior sem estrada, alguém escreveu nas paredes da prefeitura: “Cadê o prefeito?”
A pessoa que fez isso queria com isso dizer que a cidade estava sem prefeito; se tinha estava sumido, pois não estava fazendo nada.
A mesma pergunta se faz, muitas vezes, com respeito a Deus. Vendo a situação do mundo: crimes, guerra, imoralidade e injustiça social, muitos perguntam: “Onde está Deus, cadê ele? Será que ele não está mais dirigindo o mundo? O que está havendo com ele?”
Outras pessoas, não contentes com isso, começam a zombar dos cristãos, usando as mesmas palavras que Elias usou para zombar dos profetas de Baal, só que inversamente: “O Deus de vocês não age porque pode ser que ele esteja meditando, ou atendendo a alguma necessidade, ou viajando ou ainda dormindo”.
Essa zombaria é antiga e sempre aparece de novo. Já nos tempos do Antigo Testamento os cristãos tiveram que ouvir essa zombaria: “Onde está o Deus de vocês?”
Os filhos de Coré, por exemplo, no Salmo 42, se queixam, com lágrimas, de que não agüentam mais de tanto ouvir os inimigos abusarem deles, dizendo: “O Deus de vocês, onde está?”
Isso, além de ofender o cristão, faz ainda com que muitos dos que estão fracos na fé, caiam e comecem a duvidar de Deus.
Um repórter perguntou, por exemplo, a uma jovem que havia sido cristã, se ela seguia a igreja. Ela respondeu num tão de revolta, dizendo: “Eu não sigo nenhuma igreja e não creio em mais nada. Se Deus existisse o nosso mundo não estaria assim, tão cheio de guerras, crimes e maldades!”.
Diante disso é necessário um estudo à luz da Palavra de Deus para ver a causa do problema e ver o que Deus nos tem a dizer a respeito. Pois pode ser que o problema não seja Deus, mas sim o homem; que o homem, além de não julgar as coisas de uma perspectiva correta, seja ainda o causador de tudo o que está acontecendo.
Um exemplo talvez nos ajude a entender isso. Em Londres existe um grande e famoso relógio “Big Ben”, que trabalha dia, meses e até anos em seguida sem adiantar ou atrasar um minuto. Certo dia veio um homem do interior e resolveu ver de perto o famoso relógio. Quando se aproximou do relógio, o colono tirou do bolso um velho e já gasto “patacão”, consultou-o por alguns instantes, depois balançou a cabeça e disse: “É, deve de haver alguma coisa de errado naquele relógio, pois não confere com o meu. O bichão pode ser famoso e tudo, mas também come banana!”
A atitude desse homem nos ajuda a entender um pouco o problema do mundo e de muitas pessoas: em vez de procurar o defeito em si mesmo ou no mundo, o procuram em Deus.
E se nós formos examinar bem, vamos ver que a questão do mundo, dele estar assim, não é Deus, mas sim o homem. O homem é a causa de o mundo estar assim, tão cheio de problema, e não Deus.
Pois que culpa tem Deus se os homens andam se matando, fazendo guerras e cometendo injustiças contra o seu próximo? Que culpa tem Deus se os líderes de uma nação não sabem administrar os negócios de um país, que, em vez de usar bem os seus recursos e as suas riquezas, os aplicam em coisas desnecessárias e até em armas de guerra?
O problema é que o homem não quer saber nada de Deus, não quer se deixar orientar por ele e rejeitam a sua soberania. Como nos tempos de Cristo, dizem: “Não queremos que este reine sobre nós!” (Lucas 19.14).
E foi justamente por não aceitar a soberania de Deus, que Jesus foi julgado, condenado e morto. O povo não queria saber nada do reino de Cristo, preferia Barrabás.
Jesus simbolizava a justiça, o amor, a paz e o perdão. Enquanto que Barrabás, com os seus crimes, simbolizava a injustiça, o ódio, a violência e a vingança. Ao rejeitar a Jesus, o povo estava dizendo: “Nós não queremos justiça, paz, amor e perdão. Nós queremos guerra, violência, ódio, injustiça e vingança”. Jesus resume em poucas palavras essa verdade, ao dizer: “A luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz” (João 3.19).
Esse é exatamente o problema do mundo: rejeitam a luz, que é Deus, para seguir as trevas, que é Satanás. Em vez de aceitar a autoridade de Deus e deixar que ele dirija a sua vida, cada um quer fazer a sua própria vontade. Em vez de buscar em primeiro lugar as coisas de Deus para que Deus os possa abençoar, colocam as coisas do mundo em primeiro lugar e Deus em último. Em vez de amar uns aos outros, como o quer Cristo, os homens se matam, odeiam e exploram.
Eu pergunto: Como Deus pode abençoar um mundo assim, em que os homens rejeitam a Deus e os seus conselhos, em que os homens não buscam em primeiro lugar as coisas de Deus e nem se deixam dirigir por ele, em que os homens se matam, odeiam e preferem mais as trevas que a luz?
Pois se os homens se submetessem à autoridade de Deus, se deixassem dirigir por ele e aceitassem os seus conselhos, não estariam aí se matando um ao outro, cometendo injustiça e desordem social. Eles estariam sim amando o próximo, perdoando as suas ofensas e lhes ajudando nas suas necessidades.
Se todos se submetessem a autoridade de Deus e aceitassem os seus conselhos, isto é: se todos fossem cristãos, desde o presidente da república até o mais humilde lavrador, o mundo estaria diferente.
Pois o cristão que é cristão não mata, não rouba, não comete injustiça e nem faz guerra. Mas ama, perdoa e ajuda a quem quer que seja, assim como o fazia Cristo.
A questão então é ser cristão, ter Cristo no coração e seguir os seus conselhos. Sem isso não precisam esperar um mundo melhor, mais humano e diferente, mas sim: destruição, castigo e fogo do céu.
Mas nem tudo está perdido. Mesmo que o fogo dos céus consuma este mundo, resta ainda uma esperança: a esperança de um mundo melhor. Sim, porque Deus promete depois deste, que não tem jeito, criar um novo mundo, melhor e mais bonito: o novo céu e a nova terra.
No evangelho de hoje Jesus conta uma parábola. É a parábola dos trabalhadores maus (Mateus 21.33-42). Diz Jesus que certo lavrador fez uma plantação de uvas e pôs uma cerca em volta dela. Construiu um tanque para pisar as uvas e fazer vinho e construiu uma torre para o vigia. Em seguida, arrendou a plantação para alguns lavradores e foi viajar. Quando chegou o tempo da colheita, o dono mandou alguns empregados a fim de receber a parte dele. Mas os lavradores agarraram os empregados, bateram num, assassinaram outro e mataram ainda outro a pedradas. Aí o dono mandou mais empregados do que da primeira vez. E os lavradores fizeram a mesma coisa.
Depois de tudo isso, ele mandou o seu próprio filho, pensando: “O meu filho eles vão respeitar”. Mas, quando os lavradores viram o filho, disseram uns aos outros: “Este é o filho do dono; ele vai herdar a plantação. Vamos matá-lo, e a plantação será nossa”. Então agarraram o filho, e o jogaram para fora da plantação, e o mataram.
Esta história contada por Jesus retrata a incredulidade do povo de Israel. Os enviados por Deus são os profetas que exortou Israel, mas não apenas não foram ouvidos, mas ainda foram mortos; um exemplo disso é o profeta Isaías, que foi serrado vivo.
No final de tudo, Deus na sua grande misericórdia, envia o seu próprio Filho, Jesus. Porém, ele também é morto, assim como o foram os profetas que o antecederam.
Mas a parábola não termina aqui, ela continua. Jesus pergunta: “E agora, quando o dono da plantação voltar, o que é que ele vai fazer com aqueles lavradores?” O povo responde, dizendo: “Com certeza ele vai matar aqueles lavradores maus e vai arrendar a plantação a outros. E estes lhe darão a parte da colheita no tempo certo”.
Jesus então conclui a parábola, dizendo: “Vocês não leram o que as Escrituras Sagradas dizem? A pedra que os construtores rejeitaram veio a ser a mais importante de todas. Isso foi feito pelo Senhor e é uma coisa maravilhosa!” (Mateus 21.42).
Conta-se que, quando foi construído o famoso templo de Jerusalém, os pedreiros se depararam com uma enorme pedra. Por causa do seu tamanho, peso e forma, os construtores resolveram refugá-la, colocando-a de lado.
Com a pedra refugada, eles começaram a obra. Eles colocam uma pedra aqui, outra ali, até chegar à esquina. Ao chegar ao canto, notaram que faltava uma pedra adequada para amarrar a fundação, para dar sustentação à obra. Depois de muito procurar em vão, resolvem experimentar aquela pedra rejeitada. E, para a surpresa de todos, essa pedra não só se encaixou perfeitamente naquele lugar, mas ainda passou a ser a principal pedra de toda aquela construção, dando sustentação à obra.
Essa pedra, mais tarde, numa visão profética, passou a simbolizar a obra redentora de Cristo. Jesus, como aquela pedra, foi rejeitado pelos homens, morto e sepultado. Mas, depois da ressurreição, ele se tornou no principal instrumento de Deus para salvar a humanidade. Era, pois, a Jesus que o salmista se referia ao dizer: “A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra angular” (Salmo 118.22).
Cristo é a base de tudo: da nossa vida, da nossa família, do nosso trabalho e da nossa felicidade eterna. Quem não tem Cristo como o fundamento de sua vida, afundará quando vierem as dificuldades da vida. Quem, porém, tem Cristo como o fundamento de sua vida, se manterá firme, mesmo quando a tempestade começar a soprar. Diz um hino muito conhecido: “Muitos homens fazem castelos sobre a areia, de Cristo não se lembram nem buscam seu auxílio. Estes seus castelos nas águas não subsistem, pois só Cristo é o fundamento da vida verdadeira. Cristo é a pedra, a pedra angular: mas muitos homens não o querem aceitar. Creia neste Cristo, caminho verdadeiro, é ele quem nos guia à salvação eterna” (Hinário Todos os Povos o Louvem, da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, hino número 95).
Fundamentemos, pois, a nossa vida em Jesus, o caminho verdadeiro, para que possamos enfrentar as tempestades da vida e chegar ao porto seguro, que é o paraíso celestial. Amém.

Lindolfo Pieper
Jaru, RO – Brasil
Igreja Evangélica Luterana do Brasil