domingo, 14 de agosto de 2011

Pai peixe, pai cobra

— Qual é o pai capaz de dar uma cobra ao seu filho quando ele pede um peixe?

Esta pergunta de Jesus (Lucas 11.11) é oportuna quando não sabemos mais o que é cobra e o que é peixe. Por exemplo, dias atrás meu filho de oito anos pediu o videogame GTA. Depois de descobrir do que se tratava, expliquei para ele que tem violência e pornografia, e ele teria que escolher outro. Resmungou, insistiu, afinal, muitos amiguinhos dele já tinham o jogo. Mas a resposta permaneceu com o “não”. Pois agora leio uma notícia que me deixa abismado: Adolescente mata taxista ao imitar videogame GTA. Um tailandês de 18 anos confessou à polícia que queria saber se roubar e matar era tão fácil como no jogo. Que coisa absurda! É duro dizer isto, mas nós estamos transformando nossas crianças em “monstros assassinos”.
Jesus usa os símbolos “cobra e peixe” para dizer que neste mundo cheio de porcaria e também de coisa boa, cabe aos pais saber a diferença. Diz isto depois de ensinar a oração do Pai Nosso com petições que englobam tudo aquilo que é necessário para o espírito e para o corpo. Por isto insiste:
Vocês, mesmo sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos. Quanto mais o Pai, que está no céu, dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem (Lucas 11.13).

Jesus insiste, porque este é o único caminho para distinguir cobra e peixe, o Espírito de Deus que atua por meio das Escrituras Sagradas.
Creio que o problema começa por aí, com esta juventude descompromissada com os valores da vida, refugiada nas drogas, viciada em videogame e internet, metida na violência, consumista em relacionamentos descartáveis. Um problema que está no coração de uma sociedade que não sabe dizer “Pai nosso que está nos céus”, e por isto sem peixe para dar aos filhos. A palavra “peixe” em grego é ichthys, um acróstico de “Iesous Christós Theoú Hyiós Soter”, cuja tradução é “Jesus Cristo Filho de Deus Salvador”. Peixe é um símbolo que os primeiros cristãos usavam para confirmar a sua fé. Enquanto isto, a cobra simboliza o Diabo, que expeliu o pecado no próprio Cristo — uma permissão de Deus a fim de transformar o veneno em antídoto, assim como acontece nos cavalos que fabricam a vacina contra a picada de uma serpente. Uma história de salvação que começa em Gênesis 3.15, e que me faz lembrar aquele bebê que mordeu e matou uma cobra venenosa. Foi em Minas Gerais dias atrás, quando uma criança de nove meses, com três dentinhos, conseguiu esmagar a cabeça de uma serpente e sobreviver. Um fato curioso, mas que também simboliza o esforço dos filhos desamparados e sobreviventes nesta selva de pais omissos.
Filho de peixe, peixinho é. Ou, filho de cobra, cobrinha é. Por isto a Bíblia diz:
No caminho dos maus existem armadilhas e dificuldades; quem dá valor à vida se afasta deles. Eduque a criança no caminho em que deve andar e até o fim da vida não se desviará dele (Provérbios 22.5,6).
Marcos Schmidt
Pastor luterano
Igreja Evangélica Luterana do Brasil
Comunidade São Paulo, Novo Hamburgo-RS
07 de agosto de 2008