terça-feira, 3 de julho de 2018

Copa do Imundo

As palavras do ministro Luiz Roberto Barroso sobre um time de adversários contra o Brasil, “garantismo à brasileira é uma mistura de compadrio com omertà”, expressam a angústia quando um juiz nega um pênalti mesmo quando o árbitro de vídeo aplica a falta. “Garantismo” é um termo sobre os direitos do criminoso, mas que tem outro nome neste blá-blá-blá jurídico: impunidade. “Omertà” é o código de honra da máfia italiana que faz voto de silêncio e impede cooperar com a Justiça. Fica, portanto, a angústia verde-amarela: Quem vai levar a taça na Copa do Imundo?
A gente sabe, no assunto “retidão” ninguém ganha o jogo. “Todas as nossas justiças são como um trapo de imundice” (Is 64.6), acusa a Bíblia num tempo igual ao de hoje. Não é preciso árbitro de vídeo. Nossas palavras e ações, no primeiro e segundo tempo, são provas incontestáveis que todos cometemos faltas. Seria o fim da partida quando “Deus é um juiz justo” (Sl 7.11). No entanto, existe salvação nos acréscimos finais para mudar o placar: “Mas agora, pelo sacrifício de Cristo, Deus mostra que é justo. Assim ele é justo e aceita os que creem em Jesus” (Rm 3.26).
Esta boa notícia dos céus não apenas perdoa, mas também transforma. Por isto, aquele que crê na justiça divina também vive a justiça humana. Não foi o que aconteceu no tempo de Amós: “Vocês têm ódio daqueles que defendem a justiça e detestam as testemunhas que falam a verdade (...) Vocês maltratam as pessoas honestas, aceitam dinheiro para torcer a justiça” (Am 5.10-13). A Bíblia está cheia de histórias parecidas com a Lava-Jato e com toda a sujeira que vivemos. Ela não acoberta a corrupção do “povo de Deus”,  de reis, governantes, juízes, sacerdotes, time que deveria jogar limpo.
Neste mundo de falsidade, permanece a tarefa de apontar para Cristo, o justo. E seguir a recomendação: Sejam a luz do mundo.
 
Marcos Schmidt
pastor luterano

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