sexta-feira, 24 de junho de 2011

Carta de José a Zacarias e Isabel


Como teria sido uma carta escrita por José a Zacarias?
Talvez algo assim:



CARTA DE JOSÉ A ZACARIAS E ISABEL



Caro Zacarias e Isabel:

Espero que estejam bem e que João continue crescendo tão saudável e forte como vimos quando partimos.

Estamos bem, no entanto, não é nada fácil escrever-lhes estas linhas já que cada palavra dispara novamente a emoção vivida e as lágrimas turvam o papel e aceleram o coração. Não lhes pudemos dizer a alegria que nos transpassa os dois e o que é o menininho dormido e com uma paz que o inunda todo.

Maria o beija continuamente e o aperta maternalmente sobre seu peito. Parece que sempre teve um menino entre seus braços. Minhas mãos de carpinteiro, desajeitadas para escrever e que tem acariciado com jeito, tremem ao mesmo tempo em que uma estranha sensação recorre todo meu ser. Estou feliz, amo a minha esposa e o menino é um punhado de sensações de vida que nunca senti antes. Já ficou para trás o cansaço da viagem, que foi longa e nos permitiu falar muito com Maria e dar-nos conta de todo amor que cobria o tempo da espera, do que significava este inicio de caminho juntos e a vida que se abre, doce e desafiante à nossa frente e todo entusiasmo de ter uma linda família.

Belém ainda é uma bela cidade, mas fiquei surpreendido pela sua falta de hospitalidade. A passagem pela grande cidade de Jerusalém me deslumbrou; me dei conta de que já não a conhecia. Ao atravessá-la, a caminho de meu povoado, me invadiu uma profunda sensação de temor, de querer passar rápido por ali e com pressentimentos muito contrários ao esperançoso tempo de espera da nova vida que Maria carregava em seu ventre e ambos no coração. Quando era menino, ir a Jerusalém era um belo sonho que se fazia realidade una ou duas vezes por ano; mas agora o sentimento era o de sair de lá rapidamente.

Ja chegou um casal amigo que está regressando e levará estas rápidas líneas. Estamos bem, os três… Vivemos este tempo com a companhia de nosso bom Deus e o lugar que nos cobre tem se tornado quente; não era o que sonhamos para que nascesse o menino, porém através da janela podemos ver um céu pontilhado de estrelas e uma delas é grande e reluzente com una larga cauda e parece ter ficado a viver justamente ali no marco da janela. É uma bela imagem deste mundo que nosso bom Deus nos presenteou.

Agora está chegando muita gente a saudar-nos e com presentes para o menino.
Não quero deixar Maria sozinha por mais tempo; e vai ter tempo para falar e não poderão acreditar em tudo o que temos para lhes contar.

Nosso Deus e criador lhes dê Paz e lhes abençoe até que voltemos a nos ver.

José

(por: Adolfo Pedroza - Dez/08 Clai)

CLAI