segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

O Culto Luterano - manual litúrgico 11

Este manual encontra-se completo aquiMas está disponibilizado também nas postagens, com o marcador "manual da comissão de culto". Há outras duas publicações no blog (mais antigas) devem aparecer na busca também, mas estas aqui estão atualizadas.


ESTUDO 6 – OS SÍMBOLOS DO CULTO


A ARTE A SERVIÇO DE DEUS NA ADORAÇÃO



            "Adorai ao Senhor na beleza de sua santidade". (Salmo 96.9)
            A arte, na busca da beleza no culto e na igreja, não é luxo e nem supérfluo. Ela sensibiliza o nosso espírito, e com ela retribuímos e homenageamos a Deus, em toda a riqueza de sua criação e criatividade. Através dela reconhece­mos a grandeza infinita, a bondade, a sabedoria, e a beleza de Deus. A ele devemos consagrar as coisas mais perfeitas, mais íntegras, mais completas na or­dem da beleza, sem confundir beleza com riqueza e ostentação. A arte na igre­ja, especialmente na simbologia litúrgica, deve corresponder a seu fim, à sua finalidade, que é de apontar para Cristo, com harmonia, reverência, equilíbrio e sobriedade. Para tal ela deve adaptar-se a isto da maneira mais favorável.
            A Palavra de Deus e os Sacramentos não dependem de enfeites humanos para sua eficácia, pois eles são, por si mesmos "poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê". No entanto, com o fim de melhor comunicar a mensagem de Deus, é importante que se faça uso de tudo o que contribui para colocar as pessoas num contexto mental mais receptivo para o culto. Aí entra o valor da arte litúrgica, tanto no uso dos símbolos como na preparação do ambiente de culto.


O QUE É UM SÍMBOLO?



            Símbolo é qualquer coisa que exprime, representa, caracteriza ou identi­fica uma idéia, uma verdade, um conceito. O símbolo pode ser um objeto, um gesto, um elemento, um movimento, uma expressão corporal, uma veste, onde o que vale não é mais aquilo que é em si, mas o que exprime, o que significa.
            É riquíssimo o simbolismo na Bíblia e, o culto cristão, por sua vez, é carregado de simbologia. Difícil seria para nós, criaturas humanas, adorarmos o intocável, invisível e inatingível Deus Eterno, sem o auxílio dos símbolos. A presença de Cristo, na Palavra e nos Sacramentos, qualifica e autentica, nossos cultos, o lugar onde eles se realizam e todos os símbolos usados para caracterizar a presença e a ação de Deus entre nós.
O próprio culto é um símbolo do grande encontro da família de Deus no céu. Momento de alegria, de adoração, de louvor. Mas enquanto aqui, além de adoração, o culto é também catequese e testemunho.
            As realidades que Deus nos quer revelar e comunicar na Liturgia são tão grandes, tão profundas e inefáveis, que o homem não consegue, muitas vezes, compreendê-las nem exprimi-las por palavras. Por isso o próprio Deus, com o fim de aproveitar todos os recursos e faculdades da mente humana, na compreensão, retenção e frutificação da mensagem lida ou ouvida, recorre a uma linguagem mais profunda, aos sinais sagrados, aos símbolos, para atingir ao ser humano em todo o seu ser: sua alma e inteligência, seu corpo e suas emoções.
            O simbolismo cristão quer edificar os nossos sentimentos e fortalecer-nos na fé.
            Mas o símbolo só tem valor se ele nos apresenta Cristo e auxilia a focalizar nossa atenção nele.
            A principal função da ARTE LITÚRGICA é levar-nos à consciência da presença do sagrado, tornar visível aquilo que não pode ser enxergado por olhos comuns. Não torna Deus presente, porém traz a sua presença à nossa consciência.
            A arte litúrgica tem um potencial tremendo por causa do seu poder religioso. Trata-se do poder de penetrar além do óbvio e transmitir o divino.
            Um ato-símbolo carregado de emoção, como a imposição de cinzas na Quar­ta-Feira de Cinzas, faz parte do culto e comunica a mensagem divina da mesma forma que um sermão doutrinal.
            Símbolos, porém, podem morrer. Quando já se não compreende seu significado e não se capta a realidade que eles querem expressar; quando eles não servem para focalizar nossa atenção em Cristo, autor e consumador da fé, eles se tornam esotéricos e objetos de idolatria e superstição.
            Portanto, é preciso que haja sempre uma boa compreensão dos símbolos.
            Recuperando seu poder de comunicação e sua beleza eles podem ser um excelente instrumento para comunicar a Verdade Eterna, a esta geração pré-fim-de-milênio, sedenta de espiritualidade, que está correndo atrás do místico e do esotérico, do fantástico, do sobrenatural, do supersticioso.


"OS SÍMBOLOS DO CULTO"



A IGREJA (templo)

            O verdadeiro templo cristão não é o edifício de pedras. Em Cristo, cada cristão se constitui o templo de Deus. Em Cristo, onde dois ou três se reuni­rem em seu nome ali está ele - ali há culto - ali é igreja (local de cultos).
            Todas as religiões da antigüidade tiveram seus lugares sagrados. Eram lugares acanhados comportando apenas a estátua do deus e, com freqüência, o altar do sacrifício. O Tabernáculo, construído por Moisés, era uma tenda de pequenas dimensões. Só o sumo-sacerdote nele entrava. Os fiéis ficavam em re­dor, ao ar livre, em átrios preparados para eles.
            O que diferencia e caracteriza a igreja cristã é o lugar de reunião:
- um edifício público destinado simultaneamente ao culto divino e à prece co­letiva dos fiéis.
            E já que, por questões de ordem e de espaço, decidimos ter um local pró­prio para celebrar os cultos de Deus, então temos de cuidar dele com muito carinho, pois é símbolo da presença e ação de Deus no mundo através do seu povo.
            É como se Deus dissesse através do templo: "_ terra, terra, ouve a Pala­vra de Deus!" ou dissesse: Eu estou aqui para vocês - desço e entro em suas vi­das - me encarno na realidade de vocês."
            No momento do culto, a igreja é o lugar mais importante da terra, centro da história e da vida do mundo. Todas as atenções deviam se voltar para lá.
            Por isso, as igrejas cristãs - no seu aspecto externo, arquitetônico e paisagístico, devem procurar transmitir, de forma harmoniosa e bela, essa grandiosidade e importância celestial.
            Cuide-se então da boa localização e acesso, da indicação e do estado do local do culto de Deus.
            Ao se construir a igreja, deveria se escolher o melhor terreno e a melhor localização. Usar material de boa qualidade e mão-de-obra qualificada.
            Deus zela pela qualidade e beleza de sua casa. Nossa adoração a ele compreende o mesmo zelo: "Amo, Senhor, a habitação da tua casa". (Sl 26)
            Em Êxodo 35, ao dar a orientação para a construção do Tabernáculo e para a confecção de utensílios e vestes sagradas, Deus solicita ao povo que oferte material de boa qualidade e convoca artistas para a execução da obra:
v. 05- "Façam uma oferta ao Senhor...
v. 10- Todos os homens habilitados deverão vir e fazer o que o Eterno mandou
v. 25- Todas as mulheres hábeis traziam o que por suas próprias mãos tinham feito."
            Quando da construção do templo por Salomão, usou-se material nobre e muito ouro, para simbolizar a santidade e pureza de Deus. (2 Cr 3 em diante).
            O autor de Eclesiastes recomenda: "Tudo o que você tiver de fazer, faça o melhor que puder"... (Eclesiastes 9.10)
            Esse tudo inclui a casa de Deus e o culto: - o melhor, o mais belo, dentro de parâmetros litúrgicos e teológicos coerentes.
            A arte é um dom de Deus e deve estar a serviço dele. E tudo que envolve o culto do Senhor, deve ser feito e tratado com arte. Tanto o local de cultos (interna e externamente), como os utensílios litúrgicos, as vestes, a ornamentação, o canto, a música e a pregação também...
            A medicina reconhece que o ambiente exerce muita influência sobre o nosso ânimo. Um templo "prá baixo" (mal cuidado, feio, cheio de mato, mal localizado), pode gerar desânimo também na participação aos cultos e em conseqüência na missão e no ofertar. É o lado psicológico de cada um de nós.
            Além do que, cuidado, bom gosto e qualidade artística em relação ao templo, representa, para os de fora, uma parte de nosso amor a Deus e de nosso respeito às coisas sagradas.
            "Adorai ao Senhor na beleza de sua santidade". (Salmo 96.9) Isto vale tanto para o culto (reunião) quanto para o aspecto interno e externo do templo.
            O templo deveria ser um oásis espiritual, aberto diariamente, a convidar os passantes a dar uma parada, entrar e se revigorar, através de uma oração, ou leitura e meditação.
            Igualmente à noite, a casa de Deus, não deveria ficar às escuras. Deveria ser iluminada externamente, de forma a dar-lhe destaque; e internamente poderia também permanecer com uma sugestiva e discreta iluminação junto ao altar. Pois a igreja é símbolo da presença de Cristo - a luz do mundo, entre nós. (Ver significado no Título: "As luzes na Igreja (velas)").
(Recomendo a leitura do artigo "Pregando por imagens" Pastor C.W.Winterle, Mens. Lut. jan. 1987, pp.12,13)


O ALTAR

            O altar é o centro do culto da congregação. Não é apenas uma peça do mobiliário sacro, como o púlpito ou ambos; é um monumento.
            O culto se desenvolve no altar, a partir dele e ao redor dele.
            Portanto, não é um adiáforo, que tanto faz ter ou não ter no ambiente de culto. Nem é uma mesa decorativa ou para colocação dos utensílios do culto.
            No Novo Testamento o altar é, antes de tudo, A MESA SAGRADA DA CEIA DO SENHOR. É símbolo da graciosa presença de Deus em sua igreja.
            Seu significado é o de sacrifício. Simboliza primeiramente o sacrifício de nosso Senhor Jesus Cristo para a redenção do mundo.
            Também simboliza o nosso sacrifício pessoal, da oração, do louvor, e das posses a Deus, por meio de Cristo, nosso Mediador e Sumo-Sacerdote.
            Sendo o altar, por excelência, a mesa de celebração da Santa Ceia, duas considerações se fazem necessárias:
1º - Todo culto deve ser com celebração da Santa Ceia. Sem a Santa Ceia o altar perde o significado dentro do culto e o culto está incompleto.
2º - Sobre a mesa do altar - devem ser colocadas apenas:
2.1. As coisas pertinentes à celebração da Santa Ceia:
 a) jarra do vinho (não colocar garrafas ou litros sobre o altar);
 b) o cálice;
 c) a patena (prato do Pão);
 d) o cibório (recipiente depósito de hóstias).
2.2. O livro do culto (agenda litúrgica).
 (Mais orientações in: Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 50).
Para ornamentação da mesa da Ceia:
            a) as toalhas e paramentos apropriados, de tecido de boa qualidade, (nada de plástico); (Ver orientações in: Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 70ss).
            b) as duas velas eucarísticas - brancas - representativas das duas naturezas de Cristo (Ver orientações in: Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 43 e 49).
            c) o crucifixo (com o corpo do Cristo crucificado, esculpido). (Ver orientações in: Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 43; Ver também: Mensageiro Luterano, Julho/92, p.26).

Não se põe sobre a mesa da Ceia:
a)       flores (a mesa do altar não deve parecer mesa de restaurante);
b)      nem Bíblia aberta (o lugar da Bíblia é de onde se proclama a Palavra - púlpito de leitura ou púlpito da pregação). O costume da Bíblia sobre o altar surgiu da necessidade de preencher o altar com alguma coisa devido a prática equivocada da Igreja Reformada de não celebrar a Ceia dominicalmente.
c)       a coroa de advento ou outros adereços natalinos;
Obs: Nos altares que não se compõem só da mesa - mas dispõe do retábulo (degrau ou estante mais elevada um pouco, junto e atrás do altar, dever-se-á colocar ali as velas eucarísticas, o crucifixo e, para os que fazem questão de flores no altar, então ali se colocam as flores, de forma discreta e harmoniosa, nunca mais altas do que os braços do crucifixo, nem a encobri-lo. (Modelo de altar in: O culto cristão, Concórdia, 1988, p. 35).
            A posição do altar:
            O altar ocupa a posição mais honrosa na igreja.
            Deve estar em posição mais elevada e assentado sobre chão firme. (Não sobre pisos falsos - ocos ou aéreos - tipo sacadas/terraços).
            Deve ter espaço amplo o bastante para que vários oficiantes possam atuar ao mesmo tempo, sem aperto, quando isso for necessário.
            Durante o culto nada deve impedir a visão do altar. Coral, leitores, a­presentadores, ou equipamentos não deveriam ser posicionados na sua frente.
            A mesa do altar deve ficar preferencialmente afastada da parede para permitir que o oficiante assuma a posição que Cristo assumiu na instituição da Santa Ceia, ficando então atrás do altar, de frente para a Congregação.
            A decoração da igreja e o mobiliário devem sujeitar-se ao altar, enfatizando a dignidade dele e não desviando a atenção do mesmo. (Ver orientações in: Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 42).

Obs.: O altar deveria permanecer ornamentado o tempo todo - e não ser usado para outras coisas, nem tratado com desleixo e irreverência fora do momento do culto.

            A construção do altar:
            A mesa do altar deve ser construída de material nobre, sólido, trabalha­do (madeira maciça ou pedra). Não deveria ser de madeira compensada. Não deve ser oco (tipo balcão) para evitar usá-lo como armário ou depósito de material.
            (Para quem vai construir um altar, veja alguns modelos na p. 54, do Manual da Comissão de Altar.
 - Sobre a parte de cima do altar (a mesa) veja orientações na p. 43, título: "O topo do altar".)


O PÚLPITO

            O púlpito - diferente do altar - não é um monumento central e necessário do culto. É um mobiliário - trazido para a igreja para facilitar o serviço da pregação. Como tal, poderia ser dispensável. No entanto ele adquiriu um "status" e significado próprio que o tornam peça importante dentro do templo.
            Simboliza a presença de Deus na igreja, no culto, pela Palavra.
            Simboliza a autoridade da igreja em pregar a palavra de Deus.
            Deus age dando-se a nós por meio de palavras humanas: "Eis que ponho na tua boca as minhas palavras" (Jr 1.9).
            A pregação é, nas mãos de Deus, um instrumento importantíssimo de intervenção direta e profética na vida dos fiéis e na vida da Igreja, a fim de consolar, corrigir, reformar...
            A pregação, no entanto, não é o ponto culminante e mais importante do culto; não deve monopolizá-lo, mas estar em equilíbrio com o restante do culto e preparar e conduzir à Santa Ceia.

Localização:
            Ele deve estar colocado no presbitério, ligeiramente mais à frente do altar, indicando que é pela Palavra que temos acesso a Cristo, presente na Santa Ceia. Não se deve, porém, colocá-lo muito alto. Além de ser prejudicial à linha visual da comunicação, põe a pregação em posição de relevo e destaque dentro do culto, em desarmonia com as demais partes, especialmente a Santa Ceia.
            Quanto às leituras bíblicas, em não havendo o púlpito de leitura, recomenda-se fazê-las, ou do próprio púlpito, ou ao lado do altar, de modo a não ficar de costas para o altar durante a leitura.
            Fabricação:
            É recomendável fazê-lo de material nobre, firme, maciço, evitando com­pensados. Pode ser móvel, para ser deslocado, mas deve ser firme e estar bem assentado, por uma questão de conforto e segurança ao pregador e para simbolizar que a Palavra de Deus é firme como a rocha, segura e confiável. Seria conveniente que fosse do mesmo material do altar e seguindo o mesmo estilo.
            Junto a ele pode ser colocado um crucifixo, simbolizando que a verdade central de toda a pregação é Cristo crucificado.

            (Para quem vai montar um púlpito, veja alguns modelos na p. 54, do Manual da Comissão de Altar)


A PIA BATISMAL:
            A pia batismal é, junto com o altar, o objeto mais importante do culto.
O santo Batismo é o sacramento de inclusão ou entrada no corpo de Cristo, a igreja. Para simbolizar esta entrada ou incorporação, a pia é muitas vezes colocada perto da entrada principal da igreja. Normalmente, porém, nós a colocamos próximo ao altar, relacionando assim os dois sacramentos dados por Cristo.
            Sua presença no local de cultos é sempre lembrança do nosso batismo e, um importante símbolo a proclamar o que Deus opera em nós e a favor de nós.
            Deveria ser construída do mesmo material do altar, respeitando o estilo.
            (Para quem vai fazer uma pia, veja alguns modelos na p. 54, do Manual da Comissão de Altar).

            O modelo tradicional é de forma octogonal. O número oito simboliza o novo nascimento espiritual, diretamente relacionado à ressurreição de Cristo, no primeiro dia da semana, que também era chamado de oitavo dia.
            Tendo em vista que o batismo é um Sacramento que Cristo deu à sua igre­ja, é desejável que, sempre que possível, ele se realize em culto público.


OS PARAMENTOS


            A palavra paramento deriva de parare = preparar.
            A casa de Deus é paramentada = preparada - simbolizando que "a mesa está pronta" - para a Ceia.
            Paramentos, portanto, são todos os objetos que usamos na Mesa da Santa Ceia e para o adorno do recinto sagrado.           Entre estes estão as toalhas e guardanapos do altar. A toalha superior, feita de linho fino, simboliza o lençol que cobriu Cristo na sepultura.
            Quanto aos "antepêndios" (os panos coloridos) - que chamamos de paramentos - usados no altar, no púlpito e no púlpito de leitura, - simbolizam a alegria festiva pelo perdão que vamos receber na Ceia.
            (Sobre as diversas toalhas e guardanapos do altar, sua colocação e uso, ver: O culto cristão, Concórdia Ed., 1988, p. 38 e Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 71, 82-85)

AS CORES DO ANO ECLESIÁSTICO:
            As cores passaram a ser usadas no culto originalmente por motivos de beleza e alegria. Com o passar do tempo foram sendo associadas a determinadas épocas do calendário litúrgico adquirindo assim um simbolismo, que perdura até hoje, demarcando os diferentes momentos litúrgicos do ano da igreja.

            As cores atualmente aceitas em nossa igreja são:

Branco - Simboliza a perfeição, a glória, a santidade e a alegria. É destinado às grandes festas do Senhor e suas estações, como Natal, Epifania, Páscoa, período Pascal e SS. Trindade.
Vermelho - Simboliza grande fervor e zelo, vitória e triunfo. Usada no Dia de Pentecostes e festas menores como dia da Reforma, dias de apóstolos e mártires da fé, aniversário da igreja.
Roxo - Simboliza preparação e penitência. Usada na Quaresma e no Advento (quando este for celebrado de forma penitencial).
Verde - Simboliza a vida e o crescimento espiritual produzido pela se­mente da Palavra de Deus. Usado para os domingos comuns (não comemorativos de eventos eclesiásticos especiais)
Azul - Simboliza o céu, a alegria e esperança cristã - que vivenciamos em Cristo, enquanto aguardamos seu 2º advento. É indicada para o Advento.
preto - simboliza a humilhação e morte do Filho de Deus: Toda luz se apagou, o sol perdeu seu brilho, porque o Filho de Deus morreu. Indicado ape­nas para 4ª-feira de cinzas e sexta-feira santa.
Escarlate - simboliza o sofrimento de Cristo. Próprio p/ a Semana Santa.
Dourado - simboliza a vitória, a coroação e a glória de Cristo, vencedor sobres os poderes do mal e da morte. Indicada para os cultos pascais (entre a Páscoa e o Pentecostes).
Quanto aos desenhos dos paramentos é importante que eles sejam bem feitos (desenhados) e os símbolos e decorações neles usados devem estar em harmonia com o propósito para o qual se usa cada peça. Não se faz qualquer desenho só porque é bonito mas sem um significado litúrgico coerente. (Sobre o simbolismo de alguns desenhos próprios para paramentos e estolas confira Mensageiro Luterano, junho/1966, 8-10; Manual da Comissão de Altar, p. 121-131; O culto cristão, p. 51-55)

            Os paramentos precisam ser feitos por quem realmente habilitado, borda­dos à mão e em material de primeira qualidade, genuíno, não imitações.
            E, o que não é comum em nossa igreja, - lembrar que a estola faz parte do conjunto de paramentos. Deve ser feita ou adquirida junto com os paramentos, para ter o mesmo tecido, o mesmo tom, e combinar nos motivos. Ela pertence aos paramentos da Congregação e não ao pastor.
(Ver: Manual da Comissão de Altar, Concórdia, cap. XII e XIII)


AS VESTES LITÚRGICAS

            Altar e púlpito são devidamente "preparados" (paramentados) para o culto. O mesmo seria conveniente para as pessoas que participam do culto, sejam eles os ministros ou os leigos. A Moisés, junto à "sarça ardente", Deus ordenou que tirasse as sandálias, em sinal de respeito ao lugar santificado pela presença de Deus.
            No Antigo Testamento Deus determinou aos sacerdotes e levitas que usassem trajes específicos ao ministrarem no tabernáculo ou no templo.
            A igreja do Novo Testamento não recebeu tal ordenança de Deus mas, dentro do espírito de liberdade cristã, de boa ordem, reverência e decência, foi influenciada por este exemplo e desenvolveu novos tipos de vestes conforme suas necessidades.
            Na sua origem, as vestes sacerdotais eram vestimentas civis (comuns). O princípio que foi norteando a questão da vestimenta na igreja era de que para o culto se usava, se possível, a melhor roupa que se tivesse, uma roupa de festa, que não se distinguia do vestuário profano. Os dirigentes da comunidade (bispo, presbítero, diácono) usavam roupas características de sua posição e cargo. Assim trajavam as vestes próprias da classe intelectual. (A alba branca, a túnica colorida, a casula, e a estola).
            Este vestuário não obedeceu a regras rígidas, mas não demorou a surgir a prescrição de que as vestes usadas no serviço do altar não poderiam ser traja­das em outras ocasiões.
            Quando através dos séculos o vestuário foi se modificando, tal não aconteceu no culto, onde permaneceram as vestes usuais. Assim aconteceu que, com o passar do tempo, o traje litúrgico se distinguiu completamente do vestuário usado diariamente. Até a Reforma conservou-se, em toda a cristandade, o traje oriundo da igreja primitiva. Lutero não modificou nada neste setor. Ele e seus companheiros usaram as vestes brancas e coloridas, então em uso, para a celebração da Santa Ceia. Por ocasião da pregação, parece ter usado seu talar de professor, o mesmo que usava nas suas preleções.
            Mais tarde o uso das vestes talares brancas e coloridas, por influência de movimentos reformistas não luteranos, foi abandonado em determinados tempos e lugares, mas fazem parte, até hoje, de nossa herança cristã e luterana.

            Quanto ao simbolismo podemos dizer que:

1) A ALBA ou sotaina branca simboliza a inocência e "manto de justiça" que recebemos de Cristo. Indicada para o uso no culto eucarístico.
2) A ESTOLA representa o "jugo de Cristo", ou seja: - o pastor está sob as ordens e a serviço de Cristo quando a usa. (Só pastores ordenados a usam).
Obs: As estolas devem compor com os paramentos, na cor e no símbolo do momento do Ano Eclesiástico. Ela faz parte dos paramentos do altar e cada Congregação deve confeccioná-las ou adquiri-las junto com estes.
3) A CORRENTE COM A CRUZ - símbolo de autoridade pastoral. (Deveria ser usada somente pelo pastor presidente e conselheiros).
4) A BATINA PRETA, bem como o colarinho clerical são oriundas das vestimentas domésticas de professores, de clérigos, juízes e oficiais de justiça, dos séculos XVI e XVII, adotados por igrejas reformadas. Os luteranos os adotaram por influência destas. Mas elas não têm nenhuma simbologia litúrgica plausível. O preto é a ausência das cores, da luz, não simboliza a alegria e a luz que as vestes brancas acompanhadas das estolas tem.
5) A SOBREPELIZ BRANCA é usada por cima da Batina Preta nos ofícios religiosos em geral, tanto por pastores como por diáconos leigos.

            A veste litúrgica, se não é necessariamente essencial, é recomendável e prática. Ela tem a função de encobrir o indivíduo e ressaltar a função sacerdotal. Naquele momento da celebração, desaparece o que caracteriza o homem e fica evidente o sacerdote - servo e ministro de Cristo.
            Ao mesmo tempo elas sugerem reverência, alegria, festa.
            Os fiéis também deveriam "paramentar-se" para a celebração do culto.
            Uma é a roupa de trabalho, outro o traje de passeio, outro o da prática do esporte. Poderiam ter também o traje para o culto. Discreto, bonito, sem ostentação, que não chame a atenção nem distraia e tire a concentração dos demais, mas que contribuam para a reverência, alegria e beleza do momento.
            Não é recomendável o uso de camisetas de clubes de futebol, ou de propagandas de firmas, ou com dizeres estranhos ao espírito do Evangelho. Nem roupas transparentes, ou colantes, que realcem o que não convém ser realçado no culto.
            Vestes para Acólitos (Diáconos) e outros auxiliares.
             Embora pouco utilizado por nós, convém que ao menos uma Bata ou Sobrepeliz branca seja por eles usada, quando estão servindo no culto.
            Vestes para confirmandos
             É conveniente e fica bonito o uso de batas brancas para meninos e meninas nesta ocasião. Além da uniformidade reverente, e de encobrir as vaidades dos desfiles de moda, elas podem simbolizar o manto da justiça e santidade recebido no batismo. Por outro lado, evita-se despesas desnecessárias aos pais
            (Sobre outras vestes litúrgicas ver: Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 86-93).


A CRUZ E O CRUCIFIXO


            A cruz é o distintivo cristão por excelência. Desde o 4º século ela pro­pagou-se como ornamento de templos, cemitérios, casas, e como adorno pendurado ao pescoço.
            A CRUZ VAZIA é o mais forte e importante símbolo presente em toda igreja e culto cristão. Deve estar nas fachadas, torres, portas, placas...
            Dentro do ambiente de culto ela deve estar por trás do altar, e sobres­saindo acima dele. Ela simboliza a vitória de Cristo sobre a morte e aponta para a nossa futura ressurreição.
            O CRUCIFIXO, por sua vez, é o mais importante ornamento do altar. A cruz contendo a escultura do corpo de Cristo, enfatiza a sua humanação e seu sacrifício vicário.
            Essa duplicidade simboliza: na cruz vazia, o nosso futuro glorioso na ressurreição; e na cruz com o Cristo crucificado, o nosso presente pecaminoso, para o qual só há perdão e salvação Naquele que se deu por nós na cruz e vem a nós com os benefícios deste sacrifício, na Santa Ceia.
            A cruz eleva nossos pensamentos ao céu, de onde vem nossa salvação, e igualmente nos encaminha para o mundo de Deus - a quem Jesus serviu com sua vida e a quem somos convidados a amar e servir também.
            A CRUZ PROCESSIONAL - é considerada a verdadeira cruz litúrgica originalmente utilizada na igreja. Era usada em cortejos religiosos, procissões, desde o século V. Compõe-se de uma haste e a cruz propriamente dita, de madeira ou de metal, destacável da haste para colocar sobre o altar para a celebração eucarística. Também pode ser colocada ao lado do altar, com a haste, num pedestal apropriado. No cortejo (processional) - ela sempre deve ir à frente e ser bastante alta para sobressair a tudo, e a todos, simbolizando que Cristo é quem abre e dirige a nossa devoção e culto. O portador da cruz (o crucificerário) deve cobrir-se com uma sobrepeliz.
            Ela pode ser usada nos cultos em que há um processional de entrada (e saída), nos cultos ao ar livre, no cortejo fúnebre...
            (Maiores informações sobre a cruz e o crucifixo: Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 43 e 120; A casa de Deus, Edith Thomas, Ed. Sinodal, 1968, p. 22-25; Mensageiro Luterano, P. Weirich, Julho 1992, p.26)


AS OFERTAS


            Algumas pessoas gostariam que não houvesse recolhimento de ofertas no culto, alegando que o dinheiro é símbolo do mundo profano.
            No entanto, se a Palavra de Deus a tudo santifica e dignifica, também o faz com o dinheiro que, a exemplo de nossas vidas profanas, uma vez santifica­das, se tornam preciosos instrumentos nas mãos de Deus.
            As ofertas em dinheiro no culto são parte da nossa adoração e da nossa resposta ao amor de Deus que nos supre com o perdão e todo o necessário para o viver. Jesus fez a oferta (sacrifício) de sua vida por nós e nós ofertamos (sacrificamos) a ele nossas vidas e os diversos dons que ele nos deu, inclusive o dinheiro.


O AMBIENTE:

            O ambiente de culto deveria ser preparado para cada culto segundo o tema proposto e/ou o evento do Calendário Eclesiástico, de tal forma que, ao adentrar a igreja a pessoa já seja impactada pela comunicação litúrgica/simbólica do ambiente, que associada à mensagem do culto, a faz compreender e reter melhor a palavra de Deus. (Ex.: Domingo de Ramos: - decoração com ramos verdes).


AS LUZES NA IGREJA (VELAS)
            Deus é luz inacessível que faz a muitos se alegrarem com a sua luz. A primeira palavra que procede da boca de Deus na criação é: "Haja luz". Quando a Bíblia quer falar da glória de Deus, costuma usar a linguagem da luz: "Senhor, Deus meu, como tu és magnificente! Sobrevestido de glória e majestade, coberto de luz como de um manto". - "na tua luz vemos a luz". - Cristo, nos evangelhos, é chamado "sol nascente que nos veio visitar para iluminar os que jazem nas trevas e na sombra da morte". - Ele mesmo se autodenomina "a luz do mundo" e afirma que seus seguidores são "filhos da luz" e "luz do mundo".
- Por essa riqueza de expressões bíblicas é que a luz tem grande importância simbólica na liturgia.
            O uso simbólico e cerimonial da luz é prescrito pelo próprio Deus para o culto do Antigo Testamento.
            É por causa deste simbolismo que há velas na igreja. Com a luz elétrica elas não seriam mais necessárias para iluminação - mas elas permaneceram.
            O fogo simboliza o amor-sacrifício. As velas no culto simbolizam a Cris­to, a luz do mundo. Ao queimar simbolizam o amor sacrificial tanto de Cristo, como de seus discípulos. Simbolizam também a luz da Palavra de Deus que irradia no culto.
            O próprio lugar de culto deve ser um lugar de luz, bem iluminado, simbolizando que a luz da Palavra de Deus afugenta as trevas. Amplas janelas para entrar a luz do sol de dia e, se o culto for à noite, que a iluminação seja profusa, maior do que a mínima necessária. Além disso, pode-se ter luzes especiais, para focar e realçar o altar, um estandarte, a cruz. Elas criam uma comunicação visual que, além de bonita, alegra o ambiente.
            A quantidade de velas:
            Ladeando o crucifixo, no altar, devem ir as duas velas (brancas), chama­das eucarísticas, (da Santa Ceia), representando as duas naturezas de Cristo (divina e humana). Deveriam ser acesas somente na celebração da Santa Ceia e apagadas ao término desta.
            Castiçais com mais velas (3, 7, 10 velas), devem ser colocados ao lado ou atrás do altar, em estantes ou pedestais próprios ou dependuradas do teto.
            O acender e apagar das velas deveria ser realizado cerimonialmente por um acólito paramentado (com uma bata ou sobrepeliz branca) munido de um acendedor e apagador de velas apropriado. Acender com fósforo ou isqueiro e apagá-las com o dedo ou com um sopro não é muito reverente.
Obs: - Se só há fósforo ou isqueiro para acendê-las, acenda-se antes de chegar o primeiro participante do culto. Ou, um acólito, paramentado, durante o prelúdio, entra com uma vela acesa na sacristia, e acende-as.
            O acendimento das velas deve seguir a ordem seguinte: - no início do culto, as dos castiçais e candelabros fora do altar. As duas velas eucarísticas, na hora da celebração da Santa Ceia. Se houver somente as da Santa Ceia, podem ser acesas no início do culto também.
            Usar sempre velas verdadeiras, (51% de cera, preferencialmente). Não lâmpadas elétricas ou velas de parafina.
            Só é necessário substituir as velas quando estão num tamanho que não durem mais um culto inteiro.

            Velas especiais usamos nos seguintes períodos:
            Advento - (Coroa de Advento: 4 + 1, ver informações no título: "Coroa de Advento")
            Quaresma - O "Menorah" (Castiçal com 7 velas) brancas, todas acesas no início da Quaresma, e depois sendo apagadas uma a uma a cada domingo.
            Páscoa - A vela pascal (círio pascal) é um símbolo da ressurreição de Cristo e de sua presença visível na terra nos quarenta dias até sua Ascensão.
Ela é colocada num suporte sobre o piso, perto da ponta do altar onde se lê o evangelho. Ela permanece ali e é acesa em todos os cultos litúrgicos até a leitura do evangelho do dia da Ascensão. Nesse dia ela será apagada quando forem lidas as palavra do evangelho: "... foi recebido no céu, e assentou-se à destra de Deus" (Mc 16.19). (Mais detalhes ver Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 103)
            Velas de Batismo/Velas de Funerais (ver Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 102 e 103)
            Período pascal - do 1º domingo após Páscoa até Pentecostes pode-se novamente usar o "Menorah" (Castiçal com 7 velas) brancas. Serão acesas uma a uma a cada domingo, indicando a aproximação do Espírito Santo e seus dons.

 - ESTANDARTES
            O estandarte, ou panô, é a mais versátil de todas as formas de arte eclesiástica. Não é cara e pode ser mudada com freqüência. É vistoso. Apela para a visão, o sentido através do qual aprendemos a maioria das coisas. Um estandarte bem planejado pode ser um eficiente recurso didático, ajudando a abrir ouvidos e corações para uma mensagem que já foi ilustrada simbolicamente, desde o início do culto. Há referência a eles no Antigo Testamento: (Sl 60.4; Cl 2.4; Is 11.10). - Foram introduzidos como arte sacra cristã no tempo do impera­dor Constantino. (Manuais, com modelos, disponíveis na Biblioteca do Seminário Concórdia).

AS FLORES e FOLHAGENS

            Até a época de Lutero e após a Reforma não se colocava flores no altar.
O costume surgiu na Igreja Católica, durante a Contra-Reforma, no século XVII.
            As flores não são essenciais ao culto, como componente litúrgico. Mas,
no espírito da liberdade cristã, de adorar a Deus com beleza e alegria, pode­mos trazê-las, expressando consideração e reverência para com Deus e sua casa.
            No entanto, temos que levar em consideração o tipo e tamanho da igreja e do altar. É preciso ter equilíbrio, bom senso, bom gosto e moderação.
            A mesa do altar não é lugar para flores. Nos altares que dispõe do retábulo (degrau ou estante mais elevada um pouco), junto e atrás do altar, poder-se-á colocar ali, além das velas eucarísticas e o crucifixo, as flores, de forma discreta e harmoniosa, nunca mais altas do que os braços do crucifixo nem a tapar este. Elas não devem chamar a atenção sobre si mesmas.
            O ideal seria colocá-las em pedestais apropriados ao lado, ou atrás do altar, sem atrapalhar a movimentação dos oficiantes e nem ofuscar nenhuma decoração significativa, como crucifixo, vitrais, quadros, e tão pouco esconder os utensílios de Santa Ceia. (Deve-se remover embalagens de plástico ou de celofane, fitas, etc.)
            Flores plantadas não devem ser colocadas no altar (retábulo), mas em pedestais próprios ao lado dele, ou no chão. O altar é o local-símbolo do sacrifício de Cristo, que foi cortado da terra dos viventes. Por isso, ali, só flores cortadas, simbolizando esse sacrifício, doação.
            As flores jamais devem ser artificiais (plástico, papel, tingidas, etc). Tudo o que ofertamos a Deus deve ser autêntico, puro, nunca uma imitação.
            A presença, quantidade ou ausência de flores, pode ajudar a expressar o tipo de culto que se realiza. Se a ideia principal é de tristeza, arrependi­mento, reserva, silêncio, devem ser usadas flores mais escuras e em cores não muito vivas ou, até, nenhuma flor é a melhor ornamentação (como nos cultos quaresmais). Se o espírito é de alegria e festa, tanto mais vivas e numerosas poderão ser as flores. Evitar arranjos com mistura exagerada de tipos e cores, e o excesso de vasos e flores amontoados sem um plano estético e simbólico.
            A cor das flores independe da época eclesiástica, mas pode se buscar um equilíbrio com a cor eclesiástica e seus símbolos, a fim de ajudar a exprimir a temática de cada culto, ou harmonizar com o ambiente.
            Não deixar flores murchas no templo. É preferível que dominicalmente se envie as flores com um cartão de saudação da Congregação a alguém doente ou de aniversário, ou se homenageie os visitantes.
            Pode haver arranjos de flores e plantas ornamentais em outros pontos da igreja, fora do ambiente do altar, desde que não desviem a atenção deste, nem atrapalhem a visão dele, ou a locomoção das pessoas.
            (Mais informações sobre as flores na igreja, ver: Manual da Comissão de Altar, Concórdia, p. 116-119)
            As folhagens não fazem parte da decoração da igreja, especialmente do altar. Não há explicação litúrgica para seu uso. Em todo o caso, dentro do espírito da liberdade, assim como ornamos nossa casa com folhagens, elas podem ser usadas como um complemento estético, desde que não chamem a atenção demasiado para si, não atrapalhem a visão do altar e nem congestionem o espaço junto ao altar. Elas podem compor o ambiente liturgicamente - em um culto específico e temático sobre a criação, ou a ecologia.

- A COROA DE ADVENTO
            A Coroa de Advento é uma forma de expressar alegria pela vinda de Cristo. Ela deve ser preparada anualmente e sempre com ramos verdes naturais. Igualmente deve se usar velas legítimas e não lâmpadas elétricas. E devem ser acesas - uma no 1º domingo de advento, duas no 2º, e assim por diante, se não, ela perde seu sentido. Também não vão na Coroa de Advento bolinhas colo­ridas e outros enfeites natalinos. Somente os ramos verdes enlaçados por uma fita vermelha de tecido (não plástico ou papel) e as velas.
            O lugar da Coroa na igreja: - Ela nunca deve ficar sobre o altar, nem dependurada em frente a ele de forma a atrapalhar ou desviar a atenção deste.
Pode ser colocada num pedestal ao lado do altar, contrabalançando com outro pedestal do outro lado, onde ficam outras velas litúrgicas ou as flores.
            - A cor das 4 velas da coroa pode sugerir a temática do advento: - na igreja, deveriam ser usadas velas brancas. Em casa, no salão ou outros locais, pode-se usar velas coloridas para expressar a ênfase que se quer dar:
- quatro velas azuis simbolizando a esperança e a alegria em Cristo;
- quatro velas vermelhas - simbolizando o amor de Deus revelado ao mundo no natal (embora este significado já apareça na fita vermelha);
- quatro velas roxas ou violeta - se a ênfase é penitencial (preparação).

            Além das quatro velas tradicionais, que marcam cada um dos quatro domingos de advento, pode-se usar no centro da coroa, uma vela branca, maior que as outras. Ela simboliza o cumprimento da profecia, a chegada de Cristo, - a luz do mundo, no Natal. Só será acesa no Natal.
Significado:

- O Círculo da Coroa simboliza a aliança de Deus com a humanidade, através de Cristo.
- A fita vermelha simboliza o amor de Deus que nos enlaça.
- Os ramos verdes simbolizam a esperança cristã na vida eterna.
- As quatro velas, simbolizam o tempo da espera pelo Salvador - quando a luz das profecias messiânicas foi se tornando cada vez mais forte, até que Cristo mesmo veio e disse: "Eu sou a luz do mundo".

            Simbolizam também a alegria da aproximação de Cristo, a "LUZ DO MUNDO", que veio no Natal, - que vem diariamente pela Palavra e Sacramentos e que virá no dia derradeiro - seu 2º advento.


A SIMBOLOGIA DOS GESTOS:
a) O SINAL DA CRUZ:

            Traçar o sinal da cruz sobre pessoas, objetos e elementos, é um gesto que aparece com muita freqüência em nossa liturgia, como símbolo de dedicação e consagração a Deus, e da bênção do Deus Triúno por meio da cruz de Cristo.
            Essa presença tão freqüente da cruz e do sinal da cruz nos faz lembrar continuamente que toda a Liturgia não é outra coisa do que a evocação do mistério pascal de Cristo, que por sua morte e ressurreição nos traz nova vida.
            O sinal da cruz, segundo Basílio (século 4), é de origem apostólica. Era aplicado no Batismo e na Santa Ceia, na liturgia do culto e na vida diária do cristão.
            É um gesto confessional, que define nossa fé na SS. Trindade. Ao fazê-lo sinalizamos que por meio de Cristo, pertencemos a Deus e é dele, por meio de Cristo, que provém toda bênção e a nossa salvação. É também um sinal de consagração e obediência, submetendo toda nossa vida a Deus, por meio de Cristo.
            Quando na Invocação o fazemos sobre nós mesmos, com a mão espalmada indo da fronte ao peito, depois para os ombros direito e esquerdo, sinalizamos que, por meio da redenção da cruz, podemos e queremos adorar a Deus com todo o nosso ser. Declaramos que todo o nosso pensamento, nossa vontade e nossa ação, representadas pela fronte, pelo peito e pelos braços, à luz da morte de Cris­to, se desenvolvem em nome da SS. Trindade. Também indica que cremos em Deus com nossa mente, amamo-lo de todo o coração e servimos a ele no mundo com os nos­sos braços. Lutero recomenda fazê-lo no início de nossas orações diárias.

b) DO LEVANTAR-SE:
            Estar de pé expressa sobretudo respeito e honra a Deus, presente entre nós na Palavra e nos Sacramentos. Expressa também prontidão para ouvir a Deus e disposição para obedecê-lo. Por isso, é a posição própria para ouvir o Evangelho, para a oração dos fiéis, a profissão de fé a ação de graças.

c) DO ASSENTAR-SE:
             Estar assentado expressa acolhimento e meditação. Daí o estar assentado para ouvir a palavra de Deus e para acolhê-la no coração.

d) DO AJOELHAR-SE:
            O ajoelhar-se exprime humildade, arrependimento, respeito, adoração, entrega e consagração.
            Nossa Liturgia o recomenda para todos no momento da Confissão dos peca­dos e, particularmente, nas cerimônias de ordenação e instalação (pastores e professores) e nas bênçãos e votos especiais (confirmação, casamento, etc). Em algumas congregações se recebe a Santa Ceia ajoelhado.
            Lutero o recomenda para os momentos de oração individual. Neste caso, além da reverência, o ajoelhar-se pode ajudar na concentração. O apóstolo Paulo escreveu: "Por esta causa me ponho de joelhos diante do Pai de nosso Senhor Jesus Cristo"; e citando o Antigo Testamento: "...diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua dará louvores a Deus."

e) DO JUNTAR AS MÃOS:
            O gesto litúrgico de unir as mãos, juntando as palmas ou entrelaçando os dedos, para a oração, expressa recolhimento, devoção, reverência. É um ato de aquietar-se, parar de fazer qualquer outra coisa, para falar com Deus. Embora Deus nos ouça em qualquer lugar, a qualquer momento, com mãos unidas ou não, é importante para o nosso espírito que também o corpo esteja desocupado e ore junto. As mãos que se desocupam e se juntam expressam um reverente e confiante colocar-se nas mãos de Deus. Como no ajoelhar-se, o juntar as mãos ajuda na concentração. É gesto recomendado ao nos aproximarmos do altar na Santa Ceia.

f) DA IMPOSIÇÃO DAS MÃOS:
            É sinal de bênção e de reconciliação, de transmissão do dom do Espírito Santo. Jesus impunha suas mãos freqüentemente sobre as pessoas; - sobre as crianças trazidas a ele, para as abençoar; sobre os enfermos, para os curar. Das suas mãos emana poder e bênçãos.
            No gesto litúrgico de impor as mãos é o próprio Senhor quem opera através de nós, consagrando e transmitindo seus dons, sua bênção.
g) A GENUFLEXÃO: (Gesto de curvar-se dobrando ligeiramente um ou os dois joelhos).
            É por excelência um ato de adoração e reverência, recomendado quando nos aproximamos do altar, para o batismo e para a Santa Ceia.

AS PESSOAS NO CULTO

OS OFICIANTES:
            Na pessoa do pastor, na celebração do culto, temos simbolizada, de maneira viva entre nós, a presença do próprio Senhor Jesus Cristo, Pastor e Senhor da Igreja. Assim que, por boca do pastor, é Cristo que absolve, que batiza, que consagra e que dá o pão e o vinho, na Santa Ceia.
            E assim, os ministros auxiliares, diáconos, acólitos, no ofício do culto, revelam para nós, de modo bem pessoal, o Cristo que veio não para ser servido, mas para servir.

A CONGREGAÇÃO:
            A congregação é o povo convocado por Deus para ouvir a sua Palavra e fazer com ele uma Aliança. É o povo de Deus chamado para viver na comunhão da SS.Trindade - implantando no mundo o reino de Deus.
            A congregação reunida em culto,
Þ    é a expressão do amor de Deus pelo mundo.
Þ    simboliza e prefigura o povo de Deus reunido para sempre na glória eterna.
Þ    recria o mundo perfeito projetado pelo Criador, onde todos são irmãos, onde todos são iguais, onde todos se amam e se respeitam. E desta forma ela sinaliza qual é, de fato, o mundo que Deus quer.
Þ    é memorial e testemunho vivo da ação de Deus na história.
Þ    é o centro vital e o novo começo da história da humanidade.
Þ    ela é esperança para o mundo.

BIBLIOGRAFIA
1. Símbolos Litúrgicos, Frei Alberto Beckhäuser, Ed. Vozes
2. Introdução ao culto cristão, James F.White, Ed. Sinodal, 1997
3. Manual da Comissão de Altar, Concórdia, 1987
4. O culto cristão - teologia e prática, JJ Von Allmen, ASTE, 1968
5. A casa de Deus, Edith Thomas, Ed. Sinodal, 1968.
6. Cremos, por isso também falamos, Otto Goerl, Concórdia, 1977, p. 9-12
7. Mensageiro Luterano, março 1981, pp. 4-9 (Prof.Hans G.Rottmann)
8. Mensageiro Luterano, julho 1992, p. 26 (Rev. Paulo Weirich)
9. Mensageiro Luterano, junho 1966, pp. 3, 8-10
10. Mensageiro Luterano,janeiro 1988, pp.12,13 (Rev. Paulo Weirich)
11. Vestes Litúrgicas, Ed. AGIR, 1956
12. Vestes e objetos litúrgicos, Enciclopédia do Católico no Séc. XX, Ed, Flamboyant, 1960
13. A Manual on Worship. Paul Z. Strodacvh, Muhlenberg Press, Philadelphia, 1946
14. Uma proposta litúrgica para a IELB, Congr.Prof.Esc.Sup. de Teol/Inst.Conc./S.Paulo, (estudo para a 50ª Conv.Nac.IELB/1986)
16. O simbolismo do templo cristão - Jean Hani, Coleção Esfinge, Edições 70, Lisboa


Rev. João Carlos Tomm


São Leopoldo, RS

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