sábado, 9 de fevereiro de 2019

O Culto Luterano - manual litúrgico 9

Este manual encontra-se completo aquiMas está disponibilizado também nas postagens, com o marcador "manual da comissão de culto". Há outras duas publicações no blog (mais antigas) devem aparecer na busca também, mas estas aqui estão atualizadas.


ESTUDO 4 - A LITURGIA do Culto



I – INTRODUÇÃO



            O culto faz parte da vida cristã. Estamos acostumados a ele mas nem sempre nos damos conta da sua necessidade. Os pastores convocam os membros para o culto e se esmeram em argumentos para convencerem a todos da necessidade de irmos ao culto. Mas será que estamos lembrados de quais são as reais necessidades do culto ou nos esmeramos em citar utilidades que o culto tem para a vida cristã e não atingimos o ponto central sobre a necessidade do culto e conseqüentemente da liturgia?
            Neste trabalho queremos refletir sobre a necessidade do culto e da liturgia e nos acercar de argumentos sobre as reais necessidades que nós temos do culto, esperando que com isso possamos nós, pastores e líderes, equipar nossos membros das igrejas a sentirem esta necessidade fundamentados na palavra de Deus.
            O que acontece no culto vai além da capacidade da compreensão humana. Os atos, palavras e atitudes no culto são perceptíveis apenas pela fé. Por isso, o que acontece no culto é um mistério. O autor dos eventos no culto é o próprio Deus, e isto faz dos atos do culto um mistério.


II – A NECESSIDADE DO CULTO


            Após ter recebido o batismo e afirmado sua fé, necessita realmente o homem ainda algo para a sua salvação? Deus ainda quer operar nela alguma coisa? O culto não é supérfluo para aquele que já está salvo? Depois de regenerados não seria o verdadeiro culto do cristão as demonstrações de amor ao próximo? Pode o amor a Deus ser expresso de outra maneira além do amor demonstrado ao nosso próximo?
            Todos os cristãos vão concordar que é necessário que se proclame o evangelho para que outros venham a crer. Também todos vão concordar que o batismo precisa ser administrado pois Cristo mesmo ordenou o batismo e disse que "quem crer e for batizado será salvo" (Mc 16.16). Mas existe uma convocação de Cristo ao culto para toda a vida? Havendo esta convocação para o culto, poderia ser este culto algo diferente do que a continuação desta proclamação missionária que leva as pessoas à fé? Mas não seria supérfluo este culto para aquele que já crê?
            Parece que a situação de muitas de nossas congregações de uns 20 anos para trás foi a de insistir que a proclamação e pregação consistiam o ponto culminante de nossos cultos. É claro que não podemos dispensar a proclamação missionária de nossos cultos. O culto sempre terá uma tarefa missionária pelo simples fato de nele se proclamar a palavra que salva e liberta dos pecados. Mas não podemos fazer do culto apenas um aperfeiçoamento para os que ainda são neófitos; isto seria contrário à essência do culto. O culto precisa justificar-se até na hipótese de que a ação missionária já estivesse basicamente resolvida. O que dizer, por exemplo, de uma pequena vila, onde todos se professam cristãos, sobre a necessidade do culto? Uma vez que todos já professaram sua fé, teria ainda sentido realizar cultos num local assim? Somente quando a necessidade do culto é reconhecida pelos que já estão na fé e são de fato cristãos é que o culto vai também atingir seus interesses missionários, mesmo que estes interesses venham a necessitar de programas especiais como visitas a prospectos e relapsos e que precisem ser feitos fora do contexto do culto corporativo.
            Em certo sentido podemos dizer que o culto não acrescenta nada àquilo que já foi dado ao indivíduo quando este recebeu a fé. No entanto precisamos de algo que nos mantenha na fé que nos foi dada ou confirmada no batismo. A salvação pode ser perdida; por isso é necessário que o Espírito Santo nos mantenha nesta fé para permanecermos na salvação. Tentações, aflições e problemas podem ser um perigo para a fé. Por isso também de nada nos adianta querermos ostentar qualidades pessoais para nos mantermos na salvação. A salvação somente é mantida enquanto a fé apreende os méritos que Jesus conseguiu para nós. O crente está ciente de que os pecados diários são uma ameaça constante à firmeza na fé. Por isso ele fica dependente da remissão dos pecados. Não é sem motivo, portanto, que todas as programações da igreja sempre visam o perdão dos pecados. A salvação só pode ser mantida enquanto somos envolvidos no ato salvador de Cristo. Preservar a nossa salvação nada mais é do que preservar nosso estar em Cristo. Mas permanecer em Cristo significa permanecer na sua palavra através da qual ele quer estar conosco e nos garantir seus feitos salvadores.
            Perseverar na Palavra salvadora envolve mais do que simplesmente leitura particular da Bíblia. Desde meu batismo estou incorporado ao povo de Deus, à igreja, que é a epifania do corpo de Jesus Cristo na terra. E os que são reunidos como povo de Deus, como igreja, retêm em seu meio a Palavra através deste estar junto. "O culto da ekklesia é necessário porque somos incapazes de preservar a salvação obtida nesta vida terrena de outra maneira do que por restaurar sempre de novo a Palavra viva, na qual Jesus Cristo mesmo está presente com seus atos e frutos da salvação e com o que Ele trabalha em nós." Se alguém declara ser desnecessário estar na comunhão da igreja ele está desprezando a palavra salvadora e negando sua membresia no corpo de Jesus.
            Mas não estamos reduzindo assim nosso culto a um tipo de continuação da proclamação missionária do evangelho? Ainda temos que fixar nossa atenção na relação da Palavra que é vital em ekklesia e que edifica a ekklesia com a Palavra missionária designada para aqueles que estão fora da ekklesia. Temos que considerar a diferença que existe entre estas duas formas da Palavra. Se notarmos a particularidade da Palavra edificante ficará claro que aquilo que acontece no culto não pode ser uma mera continuidade da atividade missionária, mesmo que o culto seja apenas proclamação da Palavra. Até este culto terá outra característica do que a pura proclamação missionária.


1. Justificação da necessidade do culto

a) "O culto é necessário por ter sido instituído por Jesus Cristo e por ele ordenado."

Quando a igreja celebra o culto ela não está inventando coisa nova; ela simplesmente segue a ordem de Cristo "Fazei isto em memória de mim" (Lc 22.19; 1Co 11.24,25). Isto é de suma importância para nos fazer lembrar de duas coisas: primeiro, o culto instituído por Cristo não é homilético, mas, sim, eucarístico; segundo, a Santa Ceia é o ponto culminante da adoração cristã. A concepção errônea do culto como continuação da proclamação missionária será desfeita quando compreendermos o culto ligado à Santa Ceia. Toda concepção do culto será incompleta e errônea quando não considerarmos as palavras "Fazei isto em memória de mim." O dom especial que Jesus deu aos batizados é a Santa Ceia.
            A Santa Ceia no culto faz com que este culto deixe de ser uma "escola" com uma "doutrina" à maneira de uma aula de filosofia. A Santa Ceia é que reúne crentes e batizados como uma ekklesia. A Santa Ceia existe somente onde a congregação está reunida em assembléia como ekklesia. E a Santa Ceia foi instituída por Cristo particularmente para aqueles que já são membros de seu corpo para a preservação da sua salvação. A Santa Ceia é o meio da graça específico para aqueles que já formam a congregação dos discípulos. Onde o batismo é recebido com fé lá também o desejo da Santa Ceia se torna necessário. No evento da Santa Ceia existe como que uma continuação do evento do batismo. O Espírito Santo nos conduz a este desejo e ele não pode ser expresso racionalmente.
            É claro que não estamos desprezando a pregação. O próprio Jesus instituiu também o ministério da Palavra (Mt 28.19; Jo 20.23; At 1.8 etc.). "Mas o ministério da Palavra não foi instituído diretamente para o culto, mas sim para torná-lo possível, para reunir, por meio do desempenho da missão, o povo a quem Cristo deseja transmitir vida mediante a sua carne e o seu sangue." A presença da palavra no culto mostra que a igreja ainda se encontra em peregrinação e que ela não pode dispensar a palavra. Enquanto estamos no mundo precisamos ainda da palavra; e o fato de que podemos participar da Santa Mesa atesta que já podemos desfrutar da dádiva celestial. Allmen diz que "é na Ceia
preparada pela Palavra e não simplesmente na Palavra proclamada na leitura e pregação, que se localiza o ponto culminante do culto."
            É possível realizarem-se cultos sem Santa Ceia. O ofício da Palavra e as horas de oração entram nesta categoria. No entanto, tais ofícios onde a Santa Ceia não é celebrada precisam ser concebidos como ofícios isolados e fundamentados nos ofícios onde a Santa Ceia é celebrada. O culto com Santa Ceia é o centro de todos os cultos. O ofício de pregação independente, que não está fundamentado no culto com Santa Ceia, tende a ser uma forma racionalizada. Não pode haver fundamentação teológica para o culto da igreja que não é centralizado e baseado no mandamento "Fazei isto em memória de mim."
            Qual seria a necessidade de recebermos a Santa Ceia, se, já no Batismo e, constantemente, na proclamação da palavra recebemos o dom da salvação? O modo de recebimento na Santa Ceia é singular. Na Santa Ceia não somente sou assegurado da remissão dos pecados, mas também este perdão me é concedido de maneira física com o recebimento do verdadeiro corpo e do verdadeiro sangue de nosso Senhor Jesus Cristo. No Sacramento do Altar o perdão dos pecados e a nova vida estão presentes no "corpo sacrificial, verdadeiramente presente, de Jesus" e não são recebidos apenas pelo nosso coração, mas também pela nossa mão e nossa boca. O homem todo, coração e corpo, ouvidos e olhos, mão e boca, ganha participação no corpo sacrificial de Cristo, toma-o para dentro de si e é, ele mesmo, através disso, tomado para dentro dele. Aqui o totus Christus se faz presente na unidade da Palavra e da ação. Aí está, portanto, a singularidade da Santa Ceia: eu recebo fisicamente Cristo em meu corpo; tenho união com Cristo sob a recepção corporal dos elementos.
            A singularidade da Eucaristia não é o Que da presença de Cristo; nela está como na Palavra e no Batismo, o totus Christus presente. A singularidade é o Como desta presença; o Senhor não apenas está presente no coração com o seu corpo e sangue, mas ele penetra, com a ajuda dos elementos, em nossa boca. Como elementos isolados o corpo e o sangue de Cristo não garantem o dom da salvação; até um descrente recebe corpo e sangue mas para a sua condenação. A descrença rejeita o dom da salvação constante na Santa Ceia. Quando recebido em fé o corpo de Cristo sacrificado e o dom do perdão dos pecados são uma união indissolúvel. Qualquer tentativa de querer mostrar a necessidade do recebimento da salvação fora da instituição de Cristo vai fracassar. Se Jesus ordenou "Fazei isto" então eu vou fazer. E isto não é obediência forçada mas um ato de espontaneidade do Espírito Santo em nós. No entanto o imperativo da instituição de Cristo resultará em condenação se esta instituição for desprezada e não realizada. Os dons recebidos no Batismo e na Santa Ceia me levam a dar testemunho. E isto é uma tarefa para todos. A própria instituição desta comemoração é em si testemunho da morte de Cristo (1Co 11.26). É indispensável que a Santa Ceia seja administrada pois isto promove o testemunho. O recebimento da Santa Ceia impulsiona ao testemunho e é em si já um testemunho.

b) "O culto é necessário porque é suscitado pelo Espírito Santo."

Vemos nos relatos do Novo Testamento que os curados por Cristo davam-lhe graças (Lc 5.25; 13.13; 17.15; 18.43). Aqueles que reconheceram em Jesus o Messias também lhe davam graças (Lc 2.20; 23.47). O perdão restaura a capacidade de adorar, que foi perdida por causa do pecado.

c) "O culto é necessário porque é um dos meios de efetivação da história da salvação."

Cristo morreu por toda a humanidade, mas nem por isso podemos pensar que todos estão salvos. Para que haja salvação é necessária a intervenção do Espírito Santo, que nos traz à fé e nos coloca e sustém na igreja. Por meio do culto a história da salvação é presenteada. A pregação, as leituras bíblicas e a liturgia necessariamente vão nos apresentar fatos relacionados com a história da salvação. Assim, a história da salvação nos é lembrada e aplicada para os fatos de nossa vida contemporânea.

d) "O culto é necessário porque o Reino de Deus ainda não se manifestou em todo o seu poder."

A nossa vida não é ainda toda de adoração. O momento do culto é algo diverso dos momentos em geral durante os dias da semana. Nem todos os dias são domingo. Nosso culto não pode se resumir em glorificar a Deus no próximo. Com o culto demonstramos ao mundo que Deus continua a visitar-nos querendo salvar os perdidos e que neste culto somos restaurados em nossa comunhão com Deus que ele queria antes da queda e que nos dará na vida eterna.


2. A Utilidade do culto

 Na verdade só podemos falar em utilidade do culto depois de termos falado da sua necessidade. Não é a utilidade do culto que vai justificar a sua realização; mas é a necessidade do culto que vai nos motivar a realizá-lo, pois, se precisamos do culto é evidente que necessitamos realizá-lo. No entanto, podemos tecer alguns pontos sobre a utilidade do culto, uma vez que já estamos fundamentados na sua necessidade.

a) A "utilidade pedagógica do culto"

 "O culto é, por assim dizer, a tela sobre a qual a Igreja desenha o seu ensino." Quando realizamos o culto aprendemos a ser cristãos, nos encontramos com Deus e com o nosso próximo. Além disso somos ensinados como nos dirigir ao mundo e como agir no mundo. Somos instruídos na fé, na esperança e no amor. O culto é a escola por excelência do cristianismo, apesar de não ser primordialmente um local de ensino, mas, sim, de comunhão.

b) "Utilidade sociológica"

 É no culto que vamos encontrar a mais profunda das coesões e a mais fundamental solidariedade. "Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão" (1Co 10.17). No culto nos reunimos para fazermos atitudes em comum: ouvir a Palavra, receber o Sacramento, orar, cantar, adorar, ofertar. Isto faz com que nos sintamos unidos, tendo nossos propósitos em comum.

c) "Utilidade de caráter psicológico"

 O culto oferece aos fiéis um refúgio de paz e de alegria. É possível que no culto nos abriguemos de tal maneira que esqueçamos de dar nosso testemunho e que esqueçamos de nossos compromissos de vida cristã. Por outro lado, o culto é útil também como momento em que dizemos a Deus que o amamos e que nos consagramos ao seu serviço. O culto faz com que nos sintamos bem. O fato de termos sido perdoados novamente de nossos pecados pela Palavra e pelo Sacramento nos dão este refrigério para nossa vida e nós saiamos de cada culto reconfortados e animados para continuarmos nosso testemunho e nossa vida do dia-a-dia.


3. A Unidade com Cristo e com os irmãos no culto

 O que Nosso Senhor fez na última Ceia ele o fez "enquanto comiam." Nesta Ceia Jesus deu também aos seus discípulos seu corpo e sangue para ser comido e bebido.

            A igreja de Corinto seguiu a celebração da Ceia nos moldes como Cristo a instituíra. No entanto, haviam problemas. Na refeição comum que faziam não distinguiam mais o comer e o beber comum do comer e beber do corpo e sangue do Senhor. Os participantes estavam negando o corpo e o sangue do Senhor quando banqueteavam uns com os outros como se o Senhor não tivesse lhes dado seu corpo para comer e seu sangue para beber. Não distinguiam o banquete comum que vinha antes, da Santa Ceia que se seguia. O Senhor está fazendo parte de nosso corpo quando recebemos seu corpo e sangue. Em conseqüência somos um só corpo em Cristo; os crentes juntos formam o corpo de Cristo, a igreja ( 1Co 10.17; 12.12ss.). O corpo e sangue de Cristo tem a ver conosco. Vivemos uns com os outros como aqueles aos quais Cristo deu seu corpo e seu sangue. E em Corinto havia os que estavam negando isto e isto era para seu perigo. Negação do corpo verdadeiro de Cristo é, conseqüentemente, negação da unidade do corpo de Cristo formado pelos crentes. O comer e o beber do corpo e sangue de Cristo não acontece somente entre mim e Cristo. Quando recebo seu corpo e seu sangue todos os demais participantes também o recebem.
            Aí reside o cuidado pastoral de Paulo em não deixar cada um à sua sorte; ele se preocupa com aqueles que não estão discernindo o corpo do Senhor. Aí também deve estar o cuidado pastoral na pregação, no ensino, no catecismo, na comunhão fechada: cuidar para que ninguém "coma e beba juízo para si" (1Co 11.29). Não é possível incluir nesta Ceia crentes e descrentes. Esta comunhão profunda evidencia uma divisão. Em Corinto eles estavam divididos, pois havia os que comiam e bebiam o corpo e sangue de Cristo como se estivessem comendo e bebendo coisa comum.
            Nas liturgias antigas os não batizados e os que ainda não tinham feito a sua confissão eram separados. Na Deutsche Messe isto é evidenciado pela atitude dos comungantes que se reúnem ao redor do altar, enquanto outros permanecem em seus lugares.


4. Liturgia e comunidade

 "Você ouviu que é dito que a família que ora unida permanece unida. Eu lhes digo que a família que come unida permanece unida." Será que o desmoronamento de muitas de nossas famílias não pode ser atribuído ao fato de que a família raramente se encontra para as refeições? Além disso a praticidade de comidas já prontas hoje em dia favorece a cada um fazer rapidamente suas refeições sem estar de frente um com o outro à mesa. Não conseguimos compartilhar alguma coisa tão básica quanto nossa comida!
            Semelhantemente podemos falar da família de Deus. Alguma coisa sagrada acontece quando a família de Deus compartilha uma refeição. Isto é algo que ultrapassa a todas as culturas: comer em conjunto é um sinal de unidade e amor. Vemos o próprio Jesus participando em inúmeras casas em que ele está à mesa com outras pessoas; com santos e com pecadores. A exemplo de Jesus as congregações podem promover refeições comunitárias para enfatizar o amor e a fraternidade entre a congregação.
            A Santa Ceia, a Comunhão, tem muito a ver com formação de comunidade. Aliás, é o ato central da comunidade cristã. Falta de comunidade era o problema principal da congregação de Corinto. A primeira congregação de Corinto estava fragmentada (1Co 1.1-12). Até os dons do Espírito estavam fragmentando a comunidade (1Co 12). Interessante notar que neste contexto Paulo ensina sobre a Santa Ceia querendo curar o esfacelamento da congregação (1Co 11.17-34).
            A partir do capítulo 11 v. 17 Paulo trata especificamente da Santa Ceia. Paulo lembra novamente as divisões em que se encontram os coríntios (v. 18). Alguns comem e bebem até ficarem bêbados, outros estão envergonhados porque não têm o que comer. Como depois disso seguia-se a Santa Ceia; Paulo lhes admoesta que a Ceia do Senhor é algo diferente, assim como o cristianismo é uma religião diferente. Entre os cristãos precisa haver comunhão. Isso não estava expresso nesta refeição comunitária onde cada um pensava em si mesmo, comia a sua refeição sendo que alguns pobres não tinham o que comer. A Santa Ceia que se seguia tornava-se, assim, um ato blasfemo, uma condenação da sua condição de divididos. É interessante notar que no capítulo seguinte Paulo começa a falar nos dons espirituais culminando com seu hino ao amor no capítulo 13.
  


Bibliografia

KRETZMANN, Paul E. Popular Commentary of the Bible. St. Louis: Concordia
 Publishing House.
LUTERO, Martinho. Pelo Evangelho de Cristo; obras selecionadas de momentos
 decisivos da Reforma. Porto Alegre, São Leopoldo, Concórdia Editora Ltda, Editora
 Sinodal, 1984.
NAGEL, Norman E. Holy Communion, in Lutheran Worship; history and Practice. St.
 Louis: Concordia Publishing House, 1993.
PITTELKO, Roger D. Worship and the Community of Faith; in Lutheran Worship;
 history and Practice. St. Louis: Concordia Publishing House, 1993.
WILLIMON, William H. Worship as Pastoral Care. Nashville: Abingdon Press, 7ª edição,
 1987.
ZIMMER, Rudi. A Centralidade da Eucaristia no Culto, in Culto Protestante no Brasil.
 São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista, 1985.

Rev. Raul Blum

São Paulo, SP

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