segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tudo é ilusão

A gente acorda de manhã e não sabe o que vai acontecer nas próximas horas. Pode ser um dia normal, mas também um dia de cão. Quem me garante que voltarei inteiro e tranqüilo à minha cama? Quem me promete que nenhum bandido vai aterrorizar minha rotina? Que nenhum policial vai me confundir com um bandido, atirar no meu carro e matar o meu filho? Tudo pode acontecer nos próximos segundos, inclusive um monstro de ferro cair bem em cima da minha cabeça. Aquelas três pessoas da mesma família, no interior da Colômbia, morreram na madrugada desta segunda-feira sem saber o que acontecia quando um avião de carga espatifou-se sobre a casa delas. Aeronaves desgovernadas, assassinos cruéis, policiais despreparados cruzam a todo instante por nosso caminho, expondo-nos perigosamente à desgraça.
Chamou-me atenção o caso do humorista Felizberto Duarte, o Feliz, de 71 anos, o homem do tempo que finalizava seu programa com o “piriri-pororó”. Hospitalizado e deprimido, o “Feliz está infeliz”, anunciava a manchete. “Eu só queria que ele tivesse um pouco de dignidade e não acabasse a vida dele assim, tão chateado”, lamentou a mulher dele. É duro pensar nisto, mas a satisfação que hoje tenho com o trabalho, a família, os amigos, a saúde, o lazer, enfim, esta vida de realizações, tudo acabará. E depois? Como enfrentar este terremoto, de um dia levantar da cama e perceber que o meu tempo acabou?
O rei Salomão já confessava: “Tudo é ilusão. A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando e afinal que vantagem leva em tudo isso?” (Eclesiastes 1.3). Este homem culto, inteligente, poderoso, rico, bem sucedido, reconhece que tudo é como correr atrás do vento – palavras que repete insistentemente no livro. No final, depois de confessar que “ninguém sabe quando a hora da desgraça vai chegar” (Eclesiastes 9.12), faz uma recomendação: “Tema a Deus e obedeça aos mandamentos, porque foi para isto que fomos criados. Nós teremos que prestar contas a Deus de tudo o que fizemos e até daquilo que fizemos em segredo, seja o bem ou o mal” (Eclesiastes 12.13-14). Intrigante! Além das doces ilusões e desagradáveis surpresas terrenas, ainda existe este tribunal divino? Na verdade, este é um dos lados da moeda. Salomão lembra que estas palavras são como as varas pontudas que os pastores usam para guiar as ovelhas (Eclesiastes 12.11).
Muito tempo depois o apóstolo Paulo escreveria: “Se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, somos as pessoas mais infelizes deste mundo.” (1 Coríntios 15.19). Lembra, no entanto, que Cristo foi ressuscitado, e isso é a garantia da nossa própria ressurreição (1 Coríntios 15.20). Em outra carta Paulo diz que “nada pode nos separar do amor de Deus, nem o presente nem o futuro, nem o mundo lá de cima, nem o mundo lá de baixo.” (Romanos 8.38,39). Esta foi também a convicção do rei Davi, pai de Salomão e antepassado de Jesus: “Estou certo de que o Senhor está sempre comigo; ele está ao meu lado direito e nada pode me abalar. Por isto o meu coração está feliz e alegre, e eu, um ser mortal, me sinto bem seguro, porque tu, ó Deus, me proteges do poder da morte.” (Salmo 16.8-9). Por isto confessa: “Quando me deito, durmo em paz, pois só tu, ó Senhor, me fazes viver em segurança.” (Salmo 4.8).
Sinceramente não sei o que pode me acontecer nos próximos minutos. Mas sei quem estará comigo. E isto me deixa mais tranqüilo.

Comunidade São Paulo - Novo Hamburgo-RS
10 de julho de 2008