quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Concílio no Espírito Santo - 12


1.      O Sofrimento e o Sofrer por Amor de Cristo
a.       Por detrás disto está a hora preferida do diabo para semear dúvidas no coração do cristão para afastá-lo da confiança em Deus. É o momento da pergunta que não cala: Por quê? Porque Deus permite esse sofrimento? O que fiz para merecê-lo?
b.      Além do sofrer de todos os homens, o cristão tem um exclusivo, que o mundo não conhece: a tentação de ter de sofrer por amor do Senhor Jesus Cristo (1Pe 4.12,17). O sofrimento por causa da justiça, da fé e de Cristo lhe parece questionável, estranho e difícil de aceitar, escandaloso. Ele é voluntário; cessa se nego a Cristo. O desejo da carne e o pensamento piedoso são usados pelo diabo contra o cristão, para que o considere uma tolice, injustiça, e desista da fé.
c.       Se o sofrimento inevitável já é uma tentação séria, quanto mais o sofrimento que, segundo a opinião do mundo e da carne e mesmo de meus piedosos pensamentos, seria perfeitamente evitável. A liberdade [...] é lançada contra as obrigações do cristão. Essa é a legítima tentação à apostasia.
d.      Aqui se é conduzido à comunhão no sofrimento de Cristo (1Pe 4.13) e a reconhecer o juízo que começa pela casa de Deus. Esse sofrer, para Lutero, é a cruz e deve ser distinguido dos sofrimentos dos descrentes. Porém, é fanatismo se não se reconhece o juízo de Deus no sofrimento, executado mesmo em Cristo, o justo, sobre o pecado que começa pela casa de Deus e se cumprirá sobre toda carne.
2.      As Tentações Espirituais – A Última Tentação
a.       Lennart Pinomaa descreve a tentação sob duas classes. A primeira é a tentatio relacionada ao pecado, quando se manifesta o distanciamento entre Deus e os homens. Sua consequência é que se desenvolve o pensamento de que “não sou digno de comparecer diante de Deus”. Aqui a estratégia parte do próprio Deus com o objetivo de vir ao encontro e criar um diálogo com o seu filho.
b.      A segunda é a tentatio na dúvida de alguém a respeito de sua eleição. Esta se manifesta na incredulidade e no sentimento de desespero: “Será que sou verdadeiramente um eleito de Deus e realmente alguém salvo”? É estratégico ataque de Satanás sob a permissão de Deus.
c.       Em Vogelsang estes são o segundo e o terceiro níveis da tentação. Ou seja, a Anfechtung de natureza espiritual, ou a voz da consciência falando alto e criando o sentimento de desespero ao ver-se diante de (coram Deo) Deus. E a Anfechtung relacionada à eleição de Deus no sentido de que sinto o evangelho como algo que não “me diz respeito”. Se manifesta como profundo e destrutivo sentimento de dúvida.
d.      Bonhoeffer as identifica com o tentar a Deus, isto é, pôr à prova a fidelidade, a verdade e o amor de Deus transferindo-lhe a infidelidade, a mentira e a falta de caridade que são nossas. A tentação dirigida à nossa fé na salvação nos expõe ao perigo de tentar a Deus. Com tais tentações espirituais o diabo visa induzir o cristão ao pecado da soberba espiritual (securitas) ou ao do desespero (desperatio); ambos são tentar a Deus.
e.       A última é a tentação para firmar aliança com o mal. É pecado intencional, do qual não há arrependimento e confissão; que pisa aos pés o sangue de Cristo (Hb 10.26; 6.6); pecado mortal pelo qual não se deve interceder (1 Jo 5.16ss); e contra o Espírito Santo, para o qual não há perdão (Mt 12.31ss).
f.        “Se a suprema e mais perigosa tentação para Lutero está relacionada ao nosso por que, diante do agir de Deus, a mais severa ou aterrorizante é colocar em dúvida a graça de Deus” (A. Graff).
g.       O exemplo de Maria, mãe de Jesus, citado por Lutero em um dos seus sermões (pg 35 do caderno, parágrafos 6ss).
h.      Lutero menciona razões pelas quais Deus age assim na vida de seus filhos.
i.        Uma: ele combate nossa presunção de autossuficiência (Sl 30.6,7; 2Co 1.8-9).
j.        Outra: Deus permite vivermos essas experiências para, por elas, sermos exemplos para outros, a fim de despertar os seguros (securitas), consolar o tímido penitente e o alarmado por causa de seus pecados (desperatio).
k.      Finalmente, a principal finalidade de Deus é nos capacitar a ser bons teólogos, eficientes cuidadores de almas e ser capazes e suficientes educadores da justiça para ensinar seus filhos a procurar o único e verdadeiro consolo, Jesus Cristo.