quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Concílio no Espírito Santo - 4


Fundamentos
O que é a Teologia? O que é um Teólogo?
·         F. Pieper lembra: os termos teologia e teólogo são de origem pagã e não estão na Bíblia. Adotados pela igreja cristã, não são usados sempre em um único sentido. “O que importa” diz, “é que as palavras usadas não devem expressar qualquer ideia não escriturística. A matéria definida por estas palavras deve estar contida na Escritura”.
·         A ciência de que o pastor se ocupa é a Teologia. Se dela não se ocupa, não é ou não deveria ser pastor! Por outro lado, a Teologia é sempre pastoral (poimênica) ou não é Teologia! Logo, não se pode falar de Teologia desvinculada da pessoa que recebeu este dom. E nem da pessoa como Pastor/teólogo sem considerar o que é a Teologia! Portanto, não há teologia sem teólogo e não há teólogo sem teologia. Ambos estão vinculados.
·         Lutero diz que cada ser humano crente é um teólogo. Todos somos chamados teólogos, assim como todos somos chamados cristãos. Mas, no sentido restrito, Teólogo é aquele que exerce a função de servo da Igreja (ministerium ecclesiasticum), no qual ele foi investido por Deus.
·         C. F. W. Walther lembra que Teologia é habitus (disposição, qualidade, estado) practicus da alma, concedido por Deus (Θεόδοτος) e adquirido/recebido dele pelos conhecidos meios da graça pelo qual o servo da igreja é habilitado para o pleno exercício de suas atribuições. E o faz para a glória de Deus e a promoção da salvação, sua e de seus ouvintes.
·         Walther enfatiza que teologia não é saber que tenha o conhecimento como objetivo último; mas é um habitus practicus, cujo objetivo maior é conduzir pecadores pela fé à salvação. E, no sentido restrito, ter como objetivo a práxis, o exercício da função de servo da igreja (ministerium ecclesiasticum), na qual ele foi investido por Deus.
·         É habilidade prática não por estar relacionada ás áreas do ensino, da proclamação e da litúrgica; mas porque trata com a palavra de Deus em sua ação direta, ligando o ensino à vida. Não é o fato de ser prática que a torna viva, eficaz; mas, por ser eficaz, tem oportunidade de mostrar seu poder atuante.
·         A teologia é dada por Deus, logo, sobrenatural e, portanto, não pode ser conseguida por mera capacidade e persistência humana. Mas é concedida pela ação do Espírito Santo, através dos meios da graça, e pressupõe a fé justificadora que só possui quem está na graça divina e é regenerado (2Co 2.16; 3.5-6).
·         A teologia é dada por Deus (Θεόδοτος), pois os dons da santificação e os do ofício pastoral são inseparáveis. E, ambos, charismas e dons, são doação e distribuição unicamente do Espírito Santo (Tg 1.17; 1Co 12.4; 2Co 3.5).
·         Johann Gerhard (1582-1637) diz: “O zelo pela bem-aventurança deve estar em todos os cristãos, mas em especial naqueles que se dedicam à teologia e almejam o serviço da igreja”. Ele enumera 8 pontos:
1.      Temor do Senhor, sem o qual não há sabedoria (Sl 111.10; Pv 1.7; 9.10).
2.      Distinguir entre sabedoria espiritual e carnal (Tg 3.15)
3.      A sabedoria de Deus não habita no perverso.
4.      O Espírito Santo é o Mestre íntimo e verdadeiro que conduz à toda a verdade (Jo 16.13; 1Jo 2. 27).
5.      Quem gosta de estar na treva do pecado, não pode portar a luz do conhecimento espiritual do evangelho de Cristo (2Co 4.4).
6.      A verdadeira teologia é antes disponibilidade, intenção (in affectu) do que sabedoria; Nos assemelhamos a Deus mais pelo bem do que pela sabedoria; verdadeiro conhecimento de Deus implica em prática de boas obras, intenção do coração e prática cristã.
7.      A verdadeira iluminação não está presente na alma dormente (Ef 5.14).
8.      Quem se aplica à teologia precisa despir-se do velho homem (Jo 14.17).

Os verdadeiros servos e mestres da igreja não nascem tal, mas são feitos ministros, assim como todos são feitos cristãos (pela ação de Deus). Para tal é necessária longa preparação e muito estudo, para que assumam este elevado ofício bem capacitados. Pois não basta aqui apenas a aparência pessoal, ou seriedade e santidade de vida; mas se exige muito mais, é preciso o conhecimento teológico (1Tm 4.16).